Pedra encontrada no Egito possui minerais NUNCA VISTOS na Terra ou no Espaço

02/07/2018 18:00
 
 
Um estudo recentemente publicado soa como o início de uma grande história de ficção científica: uma pedra recuperada em 1996 no sul do Egito deixou cientistas confusos porque, embora definitivamente vinda do espaço, não se parece com nenhum meteorito ou asteroide regular e a mais recente análise mostra que os micro minerais dentro dela são diferentes de qualquer coisa que já encontramos aqui ou em qualquer outro lugar.
 
Meteoritos regulares são feitos principalmente de silício com um pouco de carbono (semelhante à composição do nosso planeta), mas a pedra de Hypatia, como foi nomeada, é o oposto, conforme relatado na revista 'Geochimica et Cosmochimica Acta'.
 
 
A pedra possui uma enorme quantidade de compostos de carbono e quase todos se transformaram em micro-diamantes. Alguns dos compostos de carbono são de particular interesse porque são conhecidos como hidrocarbonetos poliaromáticos (HAP), um dos principais componentes do pó interestelar. E há coisas ainda mais incomuns, como o alumínio puro.
 
“O alumínio ocorre em forma metálica pura, por conta própria, não em um composto químico com outros elementos”, disse o primeiro autor, Georgy Belyanin, da Universidade de Joanesburgo, em um comunicado. “Como comparação, o ouro ocorre em pepitas, mas o alumínio não. Essa ocorrência é extremamente rara na Terra e no resto do nosso sistema solar, tanto quanto é conhecido na ciência”.
 
A pedra também possui um mineral chamado moissanite, um composto de carboneto de silício, em uma forma inesperada e grãos de níquel e fósforo com muito pouco ferro, outra combinação nunca antes observada na Terra. Todos esses fatores sugerem que a formação do objeto é anterior à origem do Sistema Solar. A pedra simplesmente não se encaixa com o que conhecemos de nossas rochas (espaciais) locais.
 
 
 
“O que sabemos é que a Hypatia foi formada em um ambiente frio, provavelmente a temperaturas inferiores à do nitrogênio líquido na Terra (-196° Celsius)”, explicou o professor Jan Kramers, pesquisador principal do projeto. “No nosso sistema solar, teria vindo de um local muito mais distante do que o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, de onde vem a maioria dos meteoritos”.