Podemos enfim ter encontrado vestígios de Atlântida? Uma cidade de 6.000 anos é descoberta

08/05/2024

Nada estimula a imaginação dos entusiastas da história como as descobertas subaquáticas, que vão desde cidades submersas até os milhões de naufrágios ainda inexplorados no fundo do mar.

O fundo dos mares e oceanos do mundo foi descrito como o maior museu do mundo, com menos de 1% do fundo do oceano tendo sido pesquisado até o momento.

Os restos do porto da Idade do Bronze de Pavlopetri foram descobertos recentemente, na década de 1960, e alguns argumentam que podem ter sido a base para a lendária história da Atlântida.

Descoberta de Pavlopetri: a cidade subaquática mais antiga do mundo

Na década de 1960, Nic Flemming, do Instituto de Oceanografia da Universidade de Southampton, redescobriu os restos de um assentamento submerso que se acredita datar de 5.000 á 6.000 anos atrás.

Localizado na região do Peloponeso, no sul da Grécia, perto de uma pequena vila chamada Pavlopetri, o sítio arqueológico fica a 4 metros (13,12 pés) debaixo d'água e agora acredita-se ser a mais antiga cidade subaquática planejada conhecida no mundo. Portanto, juntou-se às fileiras de outros misteriosos assentamentos subaquáticos, vilas e cidades que capturaram a imaginação dos entusiastas da história.

O local foi originalmente identificado pelo geólogo Folkion Negris em 1904, mas depois que Flemming redescobriu o local, ele foi finalmente pesquisado em 1968 por uma equipe de arqueólogos da Universidade de Cambridge. Então, em 2009, sob a direção de John C. Henderson, a Universidade de Nottingham iniciou um projeto de cinco anos com o 'Ephorate of Underwater Antiquities do Hellenic Ministry of Culture and Tourism' e o 'Hellenic Center for Marine Research' para estudar a cidade misteriosa em Pavlopetri. .

Graças ao projeto, Pavlopetri tornou-se a primeira cidade subaquática a ser pesquisada digitalmente em 3D usando a tecnologia de mapeamento de sonar. Essa fusão de tecnologia marinha de ponta e computação gráfica da indústria cinematográfica permitiu que eles gerassem impressionantes imagens fotorrealistas de reconstrução digital em 3D que revolucionaram a arqueologia subaquática.

O que eles encontraram em Pavlopetri?

O projeto de pesquisa identificou milhares de artefatos no local que ajudam a criar uma compreensão mais profunda da vida cotidiana em Pavlopetri de cerca de 3000 aC até "afundar" por volta de 1100 aC, provavelmente devido a terremotos comuns na região, erosão, aumento do nível do mar, ou mesmo um enorme tsunami.

Como um instantâneo da vida há 5.000\6.000 anos, Pavlopetri foi incrivelmente bem projetado com estradas, casas de dois andares com jardins, templos, um cemitério e um complexo sistema de gerenciamento de água, incluindo canais e canos de água.

No centro da cidade, havia até uma praça medindo cerca de 40 por 20 metros (131 x 65 pés) e a maioria dos prédios tinha até 12 quartos no interior. "Existem locais afundados mais antigos no mundo, mas nenhum pode ser considerado uma cidade planejada como esta, e é por isso que é único", explicou o Dr. Jon Henderson, da equipe da Universidade de Nottingham que gerenciou o Pavlopetri Underwater Archaeology Project.

A cidade é tão antiga que existia no período em que o famoso poema épico grego antigo Ilíada foi ambientado. Pesquisas em 2009 revelaram que o local se estende por cerca de 9 acres (36.421 m2) e evidências mostram que havia sido habitado antes de 2800 BC.

As estruturas da cidade ainda são claramente visíveis e pelo menos 15 edifícios foram encontrados. O arranjo da cidade é tão claro que o chefe da equipe arqueológica de Nottingham conseguiu criar o que eles acreditam ser uma reconstrução 3D extremamente precisa da cidade.

Os historiadores acreditam que a cidade antiga era um centro de comércio para as civilizações minóica e micênica. Espalhados por todo o local existem grandes recipientes de armazenamento feitos de barro, estátuas, ferramentas do dia-a-dia e outros artefatos.

O nome original da cidade é desconhecido, assim como seu papel exato no mundo antigo. "É um achado raro e significativo porque, como um local submerso, nunca foi reocupado e, portanto, representa um momento congelado do passado", explicou Elias Spondylis, do Ministério da Cultura da Grécia, no New Scientist.

Fonte: Ancient Origins