Antiga pedra rúnica viking alertou sobre uma crise climática "extremamente ameaçadora"

25/08/2021

Acredita-se que uma das pedras rúnicas mais famosas do mundo tenha sido erguida por vikings temendo uma repetição de uma crise de clima extremamente frio anterior na Escandinávia, informa um novo estudo.

A pedra Rok, levantada no século IX perto do lago Vattern, no centro-sul da Suécia, tem a inscrição rúnica mais extensa do mundo, com mais de 700 runas cobrindo todos seus 5 lados.

Se teoriza segundo investigações que tenha sido levantada como um memorial a um filho morto, mas o verdadeiro significado do texto permaneceu um grande mistério, já que determinadas partes estão faltando e ele contém diferentes formas de escrita.

A pedra se refere aos atos heroicos de "Teodorico", que alguns estudiosos acreditam se referir a Teodorico, o Grande, um governante dos ostrogodos do século VI no que hoje é a Itália.

Estudiosos de três universidades suecas agora acreditam, com base nas evidencias encontradas até agora, que as inscrições são mais uma alusão a um período iminente de inverno absolutamente extremo e mortal, quando a pessoa que ergueu a pedra tentou colocar a morte de seu filho em uma perspectiva mais ampla.

"A inscrição lida com uma ansiedade desencadeada pela morte de um filho e o medo de uma nova crise climática catastrófica semelhante a uma já ocorrida anteriormente", escreveram os autores.

Acredita-se que a crise do século VI tenha sido causada por uma série de erupções vulcânicas que influenciaram dramaticamente o clima com temperaturas médias muito mais baixas, colheitas arruinadas e fome e extinções em massa que se seguiram por algum tempo.

Estima-se que, como resultado, a população da península escandinava diminuiu em pelo menos 50%, e os pesquisadores apontam que a memória sombria desses eventos pode ter sido transmitida e até mesmo influenciado a mitologia.

Resultados finais...

A nova interpretação é baseada em uma abordagem colaborativa entre pesquisadores de várias disciplinas, incluindo filologia, arqueologia e história da religião.

As passagens da pedra sugerem que o texto se refere a batalhas ao longo de cem anos.

Mas os pesquisadores sugerem que se trata de um tipo diferente de batalha do que conhecemos: "O conflito entre a luz e as trevas, o calor e o frio, a vida e a morte".

Eles também levam em consideração uma série de eventos sombrios durante a vida do autor do texto, que poderiam "ter parecido extremamente nefastos".

"Uma poderosa tempestade solar coloriu o céu em dramáticos tons de vermelho, as safras sofreram com um verão extremamente frio e, mais tarde, um eclipse solar ocorreu logo após o nascer do sol", disse Bo Graslund, professor de arqueologia da Universidade de Uppsala.

"Mesmo um desses eventos teria sido suficiente para levantar temores de outro Fimbulwinter", acrescentou Graslund referindo-se a um inverno que durou três anos na mitologia nórdica, um sinal da chegada de Ragnarok.