Sonhos Lúcidos - Um outro poderoso estado de consciência

22/05/2017 22:58

A premissa de um sonho lúcido é simples e, ao mesmo tempo, misteriosa: um sonho lúcido é aquele em que você sabe em que está sonhando. A maioria de nós acorda ou tem o sonho imediatamente interrompido quando descobre, no meio dele, que está sonhando. O susto parece trazer nossa consciência de volta do mundo onírico. Mas o que talvez você não saiba é que tem gente que consegue ter sonhos lúcidos com bastante frequência e inclusive permanecer neles, mas alerta. E isso significa ser capaz de fazer tudo o que você faz acordado, mas em sonho.

 

 

O grau de consciência e controle em um sonho lúcido pode variar.

Seria interessante poder voar por aí e ir ao espaço sempre que você tem um sonho lúcido, mas geralmente não é assim que acontece. Mesmo pessoas com a habilidade de ter sonhos lúcidos raramente têm um controle total, e existem limitações. "Entre os indivíduos que têm sonhos lúcidos, há uma enorme diferença em quantas vezes eles podem tê-los e quanto controle da consciência eles têm durante os sonhos", diz Martinez-Conde.
 
Assim como os sonhos comuns, alguns tendem a ser mais vívidos e intensos do que outros. "Às vezes, no momento em que você consegue mesmo assumir o controle de seu sonho, você acorda, mas em outros casos você pode ter um controle mais sofisticado e pode ser capaz de voar ou fazer qualquer coisa", explica Martinez-Conde. E cada experiência é diferente — você pode ter a capacidade de controlar coisas físicas em um sonho lúcido e lidar com questões emocionais em outros.
 
 

Quando você começa a ter um sonho lúcido, subitamente percebe que o mundo do sonho não é real.

 
E quando você se torna consciente ou "lúcido", pode controlar e manipular aspectos da realidade do sonho, diz Breus. 

 

O sonho lúcido foi descrito pela primeira vez em 1913 pelo psiquiatra holandês Frederick Van Eeden ao narrar um sonho no qual ele pôde agir de forma voluntária e tinha plena consciência de sua vida real — porém ele ainda estava dormindo tão profundamente que não havia estímulos externos ou sensações corporais que influenciassem na sua percepção do sonho.
 
Isso é o que torna um sonho lúcido diferente de uma alucinação — seu corpo físico está em sono profundo e não pode efetivamente sentir nada que você faz, mesmo estando consciente e tendo o controle.
 

Sonhos lúcidos não são a mesma coisa que pesadelos.

 
Se você já teve um pesadelo no qual começou a perceber que não estava realmente em perigo logo antes de acordar — isso não foi um sonho lúcido. "O que torna um pesadelo tão assustador é a falta de controle sobre ele; e trata-se de um processo natural impulsionado por emoções e estresse", diz Breus. Então, quando você acorda de um pesadelo bem quando está prestes a ser atacado, isso, na verdade, aconteceu por causa do aumento do seu ritmo cardíaco e da respiração devido ao estresse do pesadelo, que acabam fazendo com que você desperte.
 
O motivo de você ficar consciente durante tanto tempo num sonho lúcido é que os mecanismos de compreensão da nossa consciência estão mais relaxados, como se dissessem "tudo bem, estamos num sonho, legal", e não ocorrem as mudanças dramáticas que acontecem quando você acorda de um pesadelo, explica Martinez.
 
 

Os primeiros registros de sonhos lúcidos na história são egípcios

Alguns pesquisadores acreditam que Ba, a representação egípcia para a alma, era o 'eu' presente em sonhos lúcidos e projeções astrais, por exemplo. Ba era comumente demonstrado como um pássaro com cabeça de humano que flutuava acima do corpo humano. Robert Waggoner, autor de Lucid Dreaming: Gateway to the Inner Self, fala no mesmo livro que Ba pode ser o primeiro registro histórico de uma consciência itinerante, que sai do corpo mas conserva as características do corpo e da mente comuns, ou seja, nós mesmos quando estamos dentro de um sonho lúcido.
 
 

Sonhos lúcidos podem ser identificados como um outro estado de consciência

 
De acordo com a autora do livro Consciousness: A Very Short Introduction, Susan Blackmore, sonhos lúcidos podem ser um estado de consciência distinto daqueles que já conhecemos e alguns cientistas até acreditam que possamos, eventualmente, identificá-lo desse maneira. Ela iguala o estado de 'sonho lúcido' a alteração de consciência de experiências como paralisia do sono, meditação e experiências de projeção astral.
 

Uma em cada 5 pessoas tem pelo menos um sonho lúcido por mês

 
 
Um estudo de 1988 descobriu que 20% das pessoas afirmam ter sonhos lúcidos todo mês, enquanto outros 50% disse já ter tido um sonho assim pelo menos uma vez. O estudo também mostrou que a lucidez em sonhos é ainda mais comum para crianças - desconfia-se que seja porque crianças têm mais pesadelos e são mais vulneráveis a eles, e pesadelos frequentemente despertam a parte do cérebro responsável pela lucidez no sonho, para que o sonhador possa se dar conta que está em uma narrativa irreal e possa então transformá-la em algo diferente e menos assustador.
 
 

Alguns alimentos podem aumentar suas chances de ter sonhos lúcidos

 
Um estudo de 2006 identificou que participantes que tomaram, diariamente, 250mg de vitamina B6, disseram ter sonhos mais vivos, emocionantes, com cores mais vivas e histórias mais mirabolantes. O problema é que a quantidade diária recomendada pela OMS de vitamina B6 é 100mg. O que acontece se você tomar vitamina B6 demais? Bom, registros científicos anteriores dão conta de gente que tomou de 500mg a 1000mg por dia durante meses e teve neuropatia sensorial, que é dormência e perda de sensibilidade na extremidade. Ou seja, não é uma boa ideia.
 
Mas você pode garantir que seu consumo diária de vitamina B6 fique dentro do recomendado e isso já vai ajudar: você a encontra em alimentos como batata, banana, pães e arroz integral, alho, abacate, gema de ovo, limão, leite e aveia, por exemplo.