Singularidade tecnológica

15/09/2014 16:08

   Singularidade tecnológica é a denominação dada a um evento histórico previsto para o futuro, no qual a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em um curtíssimo espaço de tempo, onde a inteligência artificial terá superado a inteligência humana, alterando radicalmente a civilização e a natureza humana.

 

Fundamentos teóricos

   Baseando-se em avanços nas áreas da informática, inteligência artificial, medicina, astronomia, nanotecnologia, genética e biotecnologia, muitos estudiosos acreditam que nas próximas décadas a humanidade irá atravessar a singularidade tecnológica e é impossível prever o que acontecerá depois deste período.
   A aceleração do progresso científico e tecnológico tornou-se, nos últimos 300 anos, a característica mais marcante da história da humanidade. Desde o surgimento da ciência com Galileu Galilei, Isaac Newton e Leibniz profundas mudanças políticas e econômicas ocorreram em todos os países. Tais mudanças se fazem mais notáveis nos últimos 30 anos com a explosão da era digital e do capitalismo financeiro.
   Ainda não existe consenso sobre quais seriam os agentes responsáveis pela singularidade tecnológica. Alguns acreditam que ela decorrerá naturalmente, como consequência dos acelerados avanços científicos. Outros acreditam que o surgimento iminente de supercomputadores dotados da chamada superinteligência será a base de tais avanços - argumenta-se em favor disso que somente com uma inteligência superior à humana poderíamos ter avanços científicos e tecnológicos tão rápidos e importantes. Há também quem acredite na integração homem-computador para o surgimento da superinteligência, mas a tecnologia necessária para tal pode estar mais distante de ser alcançada do que a inteligência artificial.
   Vários cientistas, entre eles Vernor Vinge (a quem é creditada a criação do termo1 ) e Raymond Kurzweil, assim como alguns filósofos, afirmam que a singularidade tecnológica é um evento histórico de importância semelhante ao aparecimento da inteligência humana na Terra. Outros, mais levianos, afirmam que a singularidade tecnológica é para o século XXI o que a revolução industrial foi para o século XVIII ou simplesmente que a singularidade tecnológica é, na verdade, a quarta revolução industrial.
   Assim como engenheiros que trabalham no avanço da inteligência dos computadores, Kurzweil prevê que na metade da década de 2020 teremos total compreensão sobre o cérebro humano (com o uso da engenharia reversa) e isso nos permitirá criar máquinas perfeitas.
   Em teoria, depois de evoluir tanto, as máquinas ganhariam capacidades para desenvolver criatividade, raciocínio e inteligência superiores às características dos humanos. Segundo Raymond Kurzweil, um dos precursores que elaborou diversos estudos sobre a singularidade, a humanidade como conhecemos deve acabar em 2045.
   Para Kurzweil, a singularidade — o momento em que as máquinas vão nos dominar — não é apenas inevitável, mas é iminente. Se levarmos em conta os avanços na área da robótica e a lei de Moore (que sugere o dobro de transistores nos processadores a cada 18 meses), de fato, podemos esperar que, em duas ou três décadas, robôs vão perambular entre nós.
   Antes disso, porém, vamos aceitar tudo sem qualquer hesitação, visto que a robótica nos permitirá estender nossas vidas. Órgãos artificias, curas impossíveis, implantes e cirurgias diversas vão unir máquina e homem. Seres híbridos, humanos e robôs dividirão o mesmo espaço.

 

Estimativas

   Para fazer uma estimativa precisa de quando exatamente a inteligência artificial conseguirá alcançar níveis superiores à inteligência humana muitos índices tem sido usados e comparados. A lei de Moore, em vigor há mais de 30 anos, segundo a qual a cada 18 meses a capacidade de processamento dos computadores dobra, enquanto os custos permanecem constantes, é extensamente usada como modelo nos estudos sobre singularidade tecnológica.
   No modelo de singularidade tecnológica como consequência natural do acelerado progresso técnico-científico, vários outros índices também têm sido utilizados. Dentre eles podemos destacar: o número crescente de publicações científicas anuais, o número crescente de patentes registradas e a crescente concorrência econômica e industrial internacional.
   A maior parte daqueles que pesquisam ou discutem a singularidade tecnológica acreditam que esta possa decorrer entre os anos de 2025 e 2070, embora seja perfeitamente possível que esta demore mais a ocorrer ou, simplesmente, não ocorra.
   Em 2011, Kurzweil observou tendências existentes e concluiu que a singularidade estava se tornando mais provável de ocorrer em torno de 2045. Ele disse à revista Time: "Vamos fazer com sucesso a engenharia reversa do cérebro humano em meados dos anos 2020. No final dessa década, os computadore terão inteligência no mesmo nível humano. 

 

Perigos potenciais

   Existe atualmente uma complexa discussão sobre os perigos que a singularidade tecnológica poderá trazer à humanidade.
   Segundo muitos estudiosos, um intelecto artificial muito superior aos melhores cérebros humanos em praticamente todas as áreas, incluindo criatividade científica, sabedoria geral e habilidade social, não teria porquê estar submisso a nós. De acordo com esta linha de raciocínio, Vernor Vinge aposta na rebelião das máquinas inteligentes contra os homens, o que poderia resultar em um extermínio total ou na escravização da raça humana após uma guerra de grandes proporções, muitas vezes apontada como uma possível Terceira Guerra Mundial. Ao lado de Vernor Vinge, temos também Bill Joy, fundador da Sun Microsystems, que publicou no ano 2000 o atualmente famoso artigo "Por que o futuro não precisa de nós?", onde defende a ideia de que as máquinas inteligentes e auto-replicantes são perigosas demais e poderão facilmente fugir do nosso controle.
   Tradicionalmente argumenta-se que os homens jamais iriam entregar o poder às máquinas ou dar-lhes a capacidade de tomá-lo de nós, mas as coisas podem se suceder de forma diferente, já que o grau de dependência do homem aumentará paulatinamente até chegar a um ponto em que não restem alternativas senão a de aceitar as decisões tomadas pelas máquinas. Na mesma proporção em que os problemas da sociedade se tornarem mais complexos e as máquinas mais inteligentes, cada vez mais decisões serão tomadas por elas simplesmente por serem mais eficazes que as tomadas pelos humanos. Isso pode levar a um estágio em que a nossa dependência em relação às máquinas transforme-se no domínio pacífico das mesmas sobre nós, o que não descarta a possibilidade de um domínio agressivo.
   Numa linha de raciocínio alternativa, o matemático, escritor e ativista político Theodore Kaczynski, conhecido como o terrorista Unabomber, publicou um manifesto sobre a possibilidade das classes superiores da sociedade usarem-se da tecnologia para simplesmente eliminar as massas inferiores. Kaczynski é também adepto do ludismo e é radicalmente contra o avanço tecnológico da forma como ele está acontecendo. Os artigos de Kaczynski foram incluídos em um livro recente de Raymond Kurzweil.
   Outros perigos mais amenos dizem respeito a exclusão digital e social e ao impacto da singularidade tecnológica sobre a economia internacional, especialmente sobre os países pobres e emergentes.
   Há ainda questões éticas, como sob qual uso os equipamentos de realidade virtual serão usados pelo homem. Bill Gates afirmou em seu livro The Road Ahead (A Estrada do Futuro) que uma roupa com tecidos hipersensíveis poderia ser usada para simular sexo com o auxílio de um óculos de realidade virtual, o que levantaria questões polêmicas. Ele ainda prevê que num futuro ainda mais distante robôs poderiam ser usados de forma extremamente realista para o ato sexual e humanos poderiam aderir em massa, deixando de ter filhos e de se engajar em relacionamentos reais, diminuindo exponencialmente a população do planeta e tornando ainda mais fácil o domínio das máquinas em relação ao homem. O fator mais indicativo desse processo é a observação do vício na utilização da Internet e os sintomas que mundos virtuais causam em pessoas propensas ao vício, como isolamento social intenso, negligência quanto a alimentação e saúde, sedentarismo e perda de contato com a realidade.

Como evitar uma possivel ''guerra''?

   Claro, a princípio, junto com a chegada dos robôs teríamos as famosas leis da robótica de Isaac Asimov:
1ª) Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª) Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª) Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e/ou a Segunda Lei.
   Essas leis impediriam que os robôs representassem qualquer ameaça para nós, mas, na prática, sabemos que nem tudo funciona bem assim. Muitos protótipos e estudos podem acontecer longe de nossas vistas e nunca saberemos se um robô é do bem ou do mal. Parece trama de filme de ficção, mas pode perfeitamente ser parte do futuro. Por ora, temos muitas teorias sobre a singularidade, porém não temos qualquer confirmação de que vamos chegar a esse estágio, afinal, mesmo que a suposição de Kurzweil esteja correta, temos mais de 30 anos pela frente, nos quais podemos ter muitas alterações de acontecimentos nas diversas áreas da tecnologia.

 

Em um futuro não muito distante

   Todos esses acontecimentos podem ser freados ao longo dos anos e talvez nem sequer vejamos um robô com inteligência humana, mas, como não temos como prever o futuro, vale ir se preparando e tentando viver a vida sem evitar fazer as coisas que somente humanos podem fazer.
   Se um dia formos realmente dependentes de máquinas e robôs, acabaremos aceitando a situação, mas vamos esperar que não nos tornemos escravos da tecnologia ou que ela acabe nos sobrepujando.

 

Filmes

   Há muito tempo o cinema e a ficção-científica abordam temas relacionados ao fim do mundo, mas a singularidade tecnológica como ameaça global é algo bem mais recente. Um exemplo disso é o filme Matrix, lançado em 1999, que apresenta uma versão bastante elaborada de como poderá ocorrer a singularidade tecnológica. No filme, uma guerra entre homens e máquinas inteligentes é travada entre 2094 e 2102 com a derrota e consequente escravização da humanidade, além da destruição da biosfera terrestre com a guerra, condenando o planeta a um inverno nuclear. De forma semelhante, o filme O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas aborda o início de uma longa e inacabada guerra entre homens e máquinas, desta vez em 1997.
 
   Por outro lado, alguns filmes, como, por exemplo, Eu, robô, baseado no livro homônimo do escritor Isaac Asimov (que escreveu quase 500 livros), são mais cautelosos e abordam uma vitória humana sobre a questão. Outros, como O Homem Bicentenário (também baseado num conto de Asimov), mostram que a inteligência artificial pode ser totalmente benéfica e que a singularidade tecnológica pode não trazer perigos potenciais à humanidade.
 
 

Eae, estão preparados para serem exterminados???

Fonte: Wikipédia, Tecmundo.