Partículas cósmicas coletadas dentro de pirâmide podem revelar como ela foi construída

22/07/2016 22:34

Pesquisadores podem formular novas hipóteses a partir de dados coletados

 
 
 
 
Um grupo de cientistas doHeritage Innovation Preservation Institute, no Egito, tentará descobrir como foi construída uma das famosas pirâmides do país.
 
Eles realizarão a tarefa a partir da análise de dados de partículas cósmicas coletadas na Pirâmide Curvada, que fica em Dahshur. A estrutura tem mais de 4600 anos e, segundo arqueólogos que já a estudaram, provavelmente foi terminada na pressa, por isso tem um formato fora do padrão. Tanto que o faraó Seneferu, o primeiro da IV Dinastia do Antigo Egito, teria dado início a uma nova pirâmide, a Vermelha, a alguns quilômetros dali.
 
 
Os pesquisadores do Heritage Innovation Preservation Institute utilizaram placas de radiografia para coletar informações sobre os múons. Trata-se de partículas subatômicas invisíveis que são criadas quando raios cósmicos do espaço interagem com os átomos na atmosfera terrestre – estima-se que 10 mil delas caiam por minuto no planeta. 
 
Os múons podem ser absorvidos por materiais densos, como as pedras. Isso significa que se os cientistas encontrarem várias dessas partículas em um só lugar, é possível entender melhor quais foram os processos que elas passaram para chegar ali. É isso que eles esperam conseguir da pirâmide. "Mesmo se encontrarmos um vazio em um local, poderemos fazer novas perguntas e formular novas hipóteses. Talvez possamos até mesmo resolver algumas delas", disse Mehdi Tayoubi, presidente do Heritage Innovation Preservation Institute.
 
 

Arqueólogos descobrem pirâmide no Egito com mais de 4 mil anos

 
Restos mortais de bebês e crianças também foram encontrados ao pé da pirâmide, mas pesquisadores ainda não sabem qual era a finalidade da construção
 
Uma nova pirâmide de degraus foi encontrada por arqueólogos que trabalhavam perto do antigo povoado de Edfu, no sul do Egito. A construção tem cerca de 4.600 anos — pelo menos algumas décadas mais velha do que as famosas Pirâmides de Gizé. Originalmente, ela tinha pouco mais de 13 metros de altura (o equivalente a um prédio de cinco andares).
 
É uma das sete pirâmides chamadas "provinciais", construídas tanto pelo faraó Huni (que reinou entre 2635 e 2610 a.C.) e Snefru (de 2610 a 2590 aC). Com o tempo, porém, os blocos de pedra foram saqueados e sofreram com questões climáticas. Por isso, hoje o monumento tem apenas 4,8 metros de altura.
 
Espalhadas pelo centro e sul do país, as pirâmides provinciais estão localizadas perto de grandes assentamentos, não têm câmaras internas e não foram destinadas para enterros. Seis das sete pirâmides têm dimensões quase idênticas, incluindo a recém-descoberta: 18,2 x 18,5 metros.
 
 
O objetivo delas, no entanto, ainda é um mistério. Podem ter sido usadas como construções simbólicas, dedicados ao culto da realeza. “As semelhanças entre as pirâmides são realmente incríveis”, avalia Gregory Marouard, pesquisador do Instituto Oriental da Universidade de Chicago, que liderou o estudo. No lado leste da recém-descoberta, sua equipe encontrou restos de uma instalação onde oferendas de alimentos parecem ter sido feitas.
 
A equipe também descobriu hieróglifos no lado de fora do monumento. As inscrições estão localizadas ao lado de restos mortais de bebês e crianças que foram enterradas ao pé da pirâmide. Os pesquisadores acreditam que as inscrições e os enterros datam de muito tempo após ela ter sido construída e que a estrutura não foi originalmente concebida como um local de sepultamento.
 
Os resultados iniciais da escavação, que começou em 2010, foram apresentados em um simpósio realizado em Toronto pela Sociedade para o Estudo das Antiguidades Egípcias.