O segundo maior buraco negro da Via Láctea pode ter sido encontrado

26/01/2016 12:39
 
 
 
 
Usando modelos de computador, astrônomos podem ter encontrado um gigante próximo do núcleo da Galáxia!
 
Os astrônomos detectaram o que poderia ser o segundo buraco negro mais maciço da nossa Galáxia, que ainda pode ser a peça que estava faltando de um quebra-cabeças cósmico.
 
Ao invés de detectar o candidato a buraco negro através de ondas de rádio, os astrônomos utilizaram um novo método: eles observaram ondas de gás sendo capturadas pelo seu poderoso puxão gravitacional.
 
Usando o radiotelescópio Nobeyama de 45 metros, do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), os investigadores encontraram o objeto a apenas 200 anos-luz de distância do buraco negro supermassivo da Via Láctea, o Sagittarius A*. Ao rastrear as emissões a partir de uma grande nuvem de gás chamada CO-0,40-0,22, eles encontraram uma "dispersão de velocidades surpreendentemente grande". Em outras palavras, essa nuvem de gás é composta de material que está orbitando uma região a uma ampla gama de velocidades. Não parece haver nenhuma supernova ou qualquer outro evento energético na região para explicar esse fenômeno bizarro. Provavelmente, trata-se de um buraco negro de massa intermediária.
 
 
Usando modelos de computador, os pesquisadores foram capazes de deduzir que um objeto extremamente compacto, ou seja, um buraco negro, estaria no olho dessa grande tempestade interestelar. E acreditem: esse buraco negro é realmente super maciço, com cerca de 100.000 massas solares. Se confirmado, o objeto central dessa grande nuvem de gás será o segundo maior buraco negro já visto em nossa Galáxia, perdendo apenas para o buraco negro central da Via Láctea, o Sgr. A*, que tem cerca de 4 milhões de massas solares.
 
Buracos negros de massa intermédia são objetos verdadeiramente misteriosos. Eles estão no elo perdido entre os buracos negros de massa estelar (formados após uma explosão de supernova de estrelas maciças), e os buracos negros supermassivos (localizados no núcleo da maioria das galáxias). Os astrônomos precisam confirmar se os buracos negros de massa intermediária realmente são o caminho para um buraco negro pequeno se tornar supermassivo.
 
 

Existem muitos buracos negros na Via Láctea

 
Algumas teorias de evolução galática sugerem que a nossa Galáxia pode conter cerca de 100 milhões de buracos negros, mas as pesquisas feitas através de raios-X só mostram uma pequena fração desse número. Nesse quesito, os radiotelescópios podem preencher uma lacuna na busca dos quase invisíveis buracos negros de médio porte.
 
"As observações sobre o movimento de gás com radiotelescópios podem fornecer uma forma complementar para procurar buracos negros", disse Tomoharu Oka, da Universidade Keio no Japão e autor do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. "A contínua observação da Via Láctea com o radiotelescópio Nobeyama de alta resolução, e com o Atacama Large Millimeter / Submillimeter Array (ALMA), no Chile, tem o potencial de aumentar o número de buracos negros encontrados dramaticamente."
 
A localização da grande nuvem CO-0,40-0,22 também é intrigante; se os modelos de evolução e de fusão de buracos negros estiverem certos, então os buracos negros maiores devem consumir os menores, o que o faria crescer abruptamente, e se tornar cada mais mais poderoso.
 
Se os modelos estiverem corretos, então deve existir uma grande quantidade de buracos negros próximos do núcleo da Via Láctea, que estariam sendo atraídos pelo gigante e poderoso Sgr. A*. E a julgar pelo candidato descoberto, que está a apenas 200 anos-luz do centro da Galáxia, há uma grande chance de encontramos centenas, ou até milhares de buracos negros de médio porte nessas regiões. Isso mostra que Sgr. A* não está pra brincadeira... Não mesmo!