O Saara era verde há mais de 6.000 anos, e tinha 10 vezes mais chuva do que agora

20/01/2017 10:53
 
 
De acordo com um novo estudo recentemente publicado na revista Science Advances, evidencias mostram que os seres humanos ocuparam grande parte do Saara durante o "período úmido" ha cerca de 8.000 anos atrás. 
 
Através de uma análise de sedimentos marinhos, pesquisadores da Universidade do Arizona determinaram os padrões de chuvas do Saara durante um período de 6.000 anos obtendo resultados fascinantes. A equipe liderada pela 'UA' identificou o padrão climático que gerou o "Saara Verde" de 6.000 anos atrás. 
 
O que hoje é o Deserto do Saara já foi o lar de caçadores que viviam dos animais e plantas presentes nas savanas da região, com pradarias arborizadas há muito tempo atrás.
 
"Foi 10 vezes mais úmida que hoje", disse a autora principal, Jessica Tierney, da Universidade do Arizona, se comparado ao que chove atualmente no local (100 a 35 mm)
 
Embora outras pesquisas já tenham identificado a existência de um período de "Saara Verde", Tierney e seus colegas conseguiram compilar um registro contínuo de chuvas na região que existiu há 25 mil anos.
 
 
Curiosamente, evidências arqueológicas mostram que os seres humanos ocuparam grande parte do Saara durante o período úmido, mas tiveram que se retirar gradualmente a cerca de 8.000 anos atrás.
 
Outros pesquisadores sugeriram que o Saara se tornou mais seco no momento em que as pessoas saíram, mas as evidências não foram conclusivas, disse Tierney, professora assistente de geociências na UA, cujo trabalho foi publicado em Science Advances.
 
De acordo com o novo estudo, o período que as pessoas deixaram o Saara coincide com o período que o local começou a se tornar mais seco, até se tornar o que ele é hoje (deserto).
 
"Parece que um período de mil anos de seca fez com que as pessoas gradualmente saíssem", disse Tierney. 
 
"O que é interessante é que as pessoas que voltaram depois do período seco eram bem diferentes. Esse período seco separa duas culturas diferentes. (...)"