O monstro dos olhos vermelhos.

27/08/2014 01:01

 

A história que irei contar a seguir aconteceu comigo no verão passado, mas antes deixe me apresentar, me chamo Joaquim Nunes de Camargo, tenho 14 anos. Estava passando um fim de semana na casa de minha vó, que mora em uma pequena chácara a alguns quilômetros da cidade e como de costume toda noite de sábado minha família se reúne no quintal da casa e com todas as luzes da casa apagadas, somente um pequeno lampião aceso no chão começávamos a contar história de terror ou contos locais, meu pai era o melhor sempre contava histórias que haviam acontecido com ele quando era pequeno, neste dia ele contou uma de suas melhores, era sobre um monstro que vivia nas redondezas e que toda noite de lua cheia entrava no quarto e sugava sua energia vital enquanto dormia, um pouco de cada vez, dia após dia, até a pessoa ficar muito fraca adoecer e acabar morrendo.

Aquilo me intrigou bastante e eu queria ouvir mais sobre esse tal monstro, mais como estava tarde, todos decidiram ir dormir pois no outro dia tinham de levantar cedo para matar um porco pro almoço. Eu dormia junto com meus dois irmão, Márcio de 17 anos e Joana de 12 anos, todos no mesmo quarto.

Cai na cama como uma pedra, me sentia cansado pois o dia havia sido longo.
No meio da noite acordo me sentindo estranho, com isso vou até a cozinha beber um pouco de água, quando cheguei lá vi algo estranho parado de frente a porta, parecia uma pessoa, mais tinha apenas três dedos nos pés e uma de suas mãos era num formato estranho, como se fosse uma garra, nesse momento a coisa olhou para mim, seus olhos eram de um tom vermelho claro e brilhavam no escuro, senti como se meu coração tivesse parado, não conseguia me mexer nem gritar como naqueles sonhos onde você simplesmente trava e não consegue fazer nada, me sentia cansado como se tivesse corrido a maratona, de repente aquela coisa começou a vir em minha direção, por sorte consigo me mover e corro em direção a meu quarto, chegando lá em questão de segundos fecho a porta, meu coração parecia que ia pular para fora, ao me virar percebo algo estranho, eu não estava mais em meu quarto e sim em meio a uma floresta fechada e escura, a porta havia sumido e eu estava sozinho, pelo menos era o que eu achava.

Neste momento vem a minha mente a sensação de que tudo aquilo devia ser somente um sonho, mais era tão vivo e intenso, e como se acorda de um sonho, não sabia o que fazer ou para onde ir, foi ai que vi em meio a floresta os mesmos olhou que havia visto na cozinha, era aquela coisa, ficava lá no meio da mata somente me olhando fixamente, eu não sabia o que fazer, não tinha coragem de correr para o outro lado, com medo de que caso corresse aquilo poderia vir atrás, mas também não podia ficar ali parado só olhando pra ele, tinha que fazer alguma coisa, decidi correr, mais não conseguia, naquele momento ali parado veio em minha mente uma lembrança, do que meu pai havia me contado, a história sobre a tal criatura que entrava nos quartos e sugava sua energia vital enquanto dormia, seria aqueles olhos na floresta essa tal criatura, será que eu estava preso dentro do meu sonho enquanto ele estava lá fora sugando minha energia, será que, será que… Eu não tinha tempo para ficar buscando perguntas sem resposta, tinha que encontrar um jeito de acordar por mais difícil que fosse.

Tentei me mexer, mais ainda não conseguia, abaixei a cabeça por um segundo pra olhar minhas pernas para ver se estava preso em algo, o que não estava, quando levantei levei um susto, os olhos brilhantes não estavam mais lá, haviam sumido e agora eu conseguia me mexer, não podia perder essa oportunidade de fugir, foi neste momento que cometi um erro, me virar, assim que me virei lá estava ele a menos de 30 centímetros de mim, senti sua respiração quente na minha cara, ele era alto e ainda mais feio de perto, fiquei hipnotizado com aqueles olhos vermelhos olhando dentro dos meus olhos, parecia estar lendo a minha mente, não consegui me mover, e aos poucos vi sua boca abrindo mostrando grandes dentes e afiados, meu coração disparou e minha cabeça estava para explodir, ele parecia estar sorrindo, mostrando seus dentes afiados, em apenas um segundo ele pulou em cima de mim e quando estava prestes a morder a minha cabeça eu simplesmente despertei, já era cedo e o sol saia por entre as arvores, iluminando o quarto através das pequenas brechas da janela, aquele terrível pesadelo já havia acabado.

Levantei-me devagar e fui em direção ao banheiro, escovar os dentes e tomar um banho pois me sentia ainda mais cansado, parecia que nem havia dormido, foi quando notei uma marca em meu ombro direito que eu não tinha, era pequenos furos que formavam um círculo como se tivesse sido mordido por alguma coisa, foi quando lembrei do meu sonho, minha alma gelou e finalmente percebi que aquilo era o sinal de que o monstro havia vindo sugar minha energia naquela noite, por isso havia tido aquele sonho tão vívido e fora de controle, saí do banheiro correndo para mostrar aquilo a meu pai, que só disse.

Pai – Pare de brincadeira Joaquim, só porque eu te contei uma história boba ontem não quer dizer que você pode vir inventar coisas pra mim.

Eu – Mais você não vê a mordida no meu ombro, como ela é estranha e nenhuma outra coisa pode ter feito aquilo enquanto eu dormia sem que eu acordasse.

Pai – Mordida? De que mordida você está falando moleque? Não tem nada no seu ombro.

Não era possível, será que somente eu podia ver a mordida? Ou será que tudo aquilo era coisa da minha cabeça? Eu tinha que descobrir, então fui em busca de respostas, fui até a casa de meu amigo Antônio, que morava em uma fazenda próxima.

Eu – Antônio, você está em casa?

Antônio – To sim, entra ai.

Antônio era um cara legal, mais como nunca havia saído da fazenda tinha pouco conhecimento mais em compensação era uma ótima pessoa.

Eu – Preciso da sua ajuda.

Antônio – Como posso ajudar você meu amigo?

Eu – Aconteceu uma coisa estranha ontem a noite comigo, enquanto eu dormia, alguma coisa me mordeu, no meu ombro.

Mostrei o local da mordida pra ele, que teve a mesma reação de meu pai.

Antônio – Não consigo ver nada ai, você tem certeza que tem uma mordida ai?

Eu – Claro, eu estou vendo ela agora, está bem ai no meu ombro, você não consegue ver?

Antônio – Não, mais o que você acha que te mordeu?

Eu – Já ouviu sobre a história do monstro que suga sua energia vital enquanto dorme?

Antônio – Já sim, você ta falando do Gárgula?

Eu – Gárgula?

Antônio – Sim, dizem que ele é um monstro que vive nessas floresta, e que se alimenta de sangue e energia vital das pessoas.

Eu – É esse daí mesmo, você sabe mais dele?

Antônio – Meu avô me contou que esse monstro vive na beira de um córrego a uns quilômetros daqui, e a noite ele vem até as fazendas sugar as pessoas, e enquanto a pessoa é sugada, ela fica presa dentro do seu próprio sonho, e só acorda quando ele vai embora.

Eu – Isso, aconteceu isso mesmo ontem comigo, como eu mato essa coisa ou faço ela ficar longe de mim?

Antônio – Matar? Não tem como matar uma coisa dessas não tem nem como chegar perto dele, e ninguém nunca conseguiu ir atrás dessa coisa, nem sabemos se isso é mesmo verdade.

Eu – Eu sei que é verdade e eu vou até esse córrego que você me falou e vou acabar com isso antes que isso me mate.

Antônio – Você está louco, não pode sair por ai sozinho, atrás de uma lenda idiota, é muito perigoso Joaquim.

Eu – Pouco me interessa se é perigoso eu vou atrás daquela coisa, nem que seja sozinho, e só vou voltar quando encontra-lo.

Antônio – Não vou deixar você andar por ai sozinho, eu vou com você!

Eu – Não Antônio, você não precisa vir comigo.

Antônio – Cala a boca e vamos logo na sua casa pegar alguma coisa pra levar.

Eu – Tudo bem, mais não diga nada com ninguém sobre o que vamos fazer.

Antônio – Tá certo.

Voltamos para minha casa e de lá seguimos rumo ao córrego, onde eu poderia encontrar com o meu pior pesadelo. O caminho para lá era longo e atravessava a densa floresta fechada, no caminho tudo parecia familiar, como se eu estivesse retornando ao sonho da noite passada, aquilo me dava calafrios e uma sensação estranha de estar sempre sendo observado de longe por alguma coisa.

O dia foi acabando e aos poucos o sol foi se pondo ao leste a lua já podia ser vista no horizonte e as primeiras estrelas já apareciam, não devíamos ter ficado tanto tempo na floresta, afinal de contas o córrego era a mais ou menos quatro quilômetros floresta a dentro, não devíamos demorar muito a chegar, olhei para Antônio, mais ele parecia estar ainda mais preocupado que eu, talvez nem devêssemos ter vindo, mais eu não conseguia pensar na hora, a única coisa que eu tinha que fazer era ir atrás daquela coisa e matá-la de qualquer forma, não estava pensando direito.

Naquele momento Antônio virou se para mim e falou que devíamos parar e descansar um pouco, enquanto ele tentava lembrar onde eles estavam, somente a ideia de saber que estávamos perdidos no meio da mata onde talvez vivesse um monstro horrível que suga sua energia enquanto dorme já me dava arrepios, aos poucos minha coragem ia sumindo e o medo começava a tomar conta de mim.

O tempo foi passando e Antônio não conseguia lembrar de onde tínhamos vindo nem como voltar para casa, a lua já estava no meio do céu e dava para ver muitas estrelas, voltamos a caminhar em direção ao norte, pois talvez aquele fosse o caminho certo para voltar a fazenda ou pelo menos chegar em alguma estrada conhecida, quando ouvimos um leve barulho de água.

Antônio – Olha só, parece que “nois” conseguimos encontrar o danado do córrego.

Eu – Bom, mais a gente pode tentar voltar amanhã, nos marcamos o caminho e voltamos enquanto tem luz, não é uma boa ideia andar por aqui a noite.

Meu medo havia tomado conta de mim, não conseguia pensar em nada além de voltar a segurança da minha casa e em como meus pais deveriam estar preocupados comigo.

Antônio – Nem se preocupe meu amigo, a gente vai ficar bem, vou só procurar um jeito de marcar o caminho pra gente tentar voltar.

Foi nesse momento que ouvimos um barulho vindo de dentro da floresta, alguma coisa estava vindo em nossa direção, alguma coisa grande, meu coração disparou e eu travei não conseguia correr nem me mexer, parecia que tinha voltado ao sonho, nesse momento veio uma luz em minha mente, e se eu estivesse dormindo e se tudo aquilo fosse um sonho.

Foi quando Antônio curioso foi dar uma olhada no que estava vindo em nossa direção, mais algo o assustou, algo que já me era familiar, do meio da floresta surgiram dois olhos grandes e brilhantes numa cor vermelha e intensa, senti como se tivesse tido um enfarte e caí de joelhos no chão, Antônio estava parado na minha frente, eu gritava por ele, pedindo para que corresse mais parecia que ele não ouvia, a coisa na mata se aproximava cada vez mais e aos poucos foi ficando visível a luz da lua, era a mesma coisa do meu sonho só que parecia ainda mais aterrorizante, ele se aproximou de Antônio e quando estava a menos de quinze centímetros de seu rosto, Antônio apunhalou ele com uma faca que havia trago e correu em minha direção.

Antônio – Vamos embora daqui, rápido, Joaquim?

Eu não conseguia me mover e aquela coisa foi se aproximando da gente, foi quando pegou Antônio pelo pescoço e da seu braço esquerdo onde tinha somente uma garra surgiu um tipo de língua com uma boca na ponta, uma boca com forma arredondada exatamente como a marca em meu ombro, aquilo mordeu o pescoço de Antônio e aos poucos foi sugando seu sangue, eu o via ficando branco, todo o sangue dele estava sumindo do seu corpo, e no rosto do gárgula uma sensação de prazer que aumentava a cada ml de sangue que saía de meu amigo, quando terminou ele o arremessou no chão como se não fosse nada e veio em minha direção, quando estava bem próximo de mim, ele apenas sussurrou “você eu vou deixar vivo, por enquanto, porque eu preciso da sua energia para viver, por isso durma, durma bastante”, foi a última coisa que ouvi antes de apagar.

Ao abrir meus olhos ainda estava na floresta, mas o corpo de Antônio não estava mais perto de mim e o monstro havia sumido, eu havia adormecido e aquela coisa deveria estar me sugando e me matando aos poucos, eu ainda estava próximo ao córrego, então decidi ir até lá antes que aquilo aparecesse em meus sonhos.

Ao chegar no córrego encontrei uma sena terrível, a água era vermelha como sangue e mais a frente dezenas de corpos estavam jogados ao chão, alguns já estavam em fase final de decomposição outros pareciam ter sido mortos a pouco tempo, mais a frente tinha uma pequena cabana, decidi ir verificar caso houvesse sobreviventes, o local não era muito grande, porém era muito escuro e tinha um cheiro ruim de carne podre, havia algumas pessoas presas ao teto pelas mãos umas já estavam mortas e larvas saiam de dentro de seus corpos, mais uma delas não parecia morta, era uma garota, ainda jovem, me aproximei dela tentando ver se estava bem, não parecia estar respirando e tinha vários ferimentos na pele, quando me aproximei ela acordou o que me assustou e consequentemente me fez cair no chão, ela tentou falar comigo, mais estava muito fraca e sua voz saía muito baixa, me aproximei dela e só então pude ouvir o que estava falando.

Seu nome era Monica e ela estava ali a mais de cinco dias, sentia fome e muito cansaço, ela disse que tinha que me contar algo e me pedia ajuda, procurei uma maneira de soltar suas mãos, não dava para ver muito dentro da cabana, mais por sorte encontrei uma pequena faca meio enferrujada, soltei a garota e a coloquei no chão perto da parede fria, ela então virou para mim e começou a sussurrar algumas palavras, aproximei meu ouvido da boca dela e só então pude ouvir, ela estava contando como foi parar naquele lugar.

Monica – Um dia enquanto dormia junto a minha irmã menor ouvi um barulho vindo da janela, levantei-me e fui verificar, lá fora estava como sempre, só se ouvia o cantar dos grilos e o brilho da lua clareava os campos em torno da casa, nada de estranho, quando me virei, dei de cara com grandes olhos vermelhos e momentos depois eu estava presa dentro de meu próprio sonho, não conseguia reagir pois o medo havia tomado conta de meu corpo e um tempo depois eu acordei com uma marca em meu pescoço, uma marca que só piorava com o passar dos dias na qual somente eu podia ver, pois nenhum de meus familiares acreditavam em mim, até que numa noite eu não consegui dormir, tinha tomado muitos energéticos e outras bebidas com cafeína para evitar pegar no sono, naquela noite eu iria descobrir o que estava acontecendo comigo, mais algo que eu não planejava aconteceu, por volta das três horas da madrugada, aquele monstro de olhos vermelhos surgiu ao lado da minha cama e antes que eu conseguisse me proteger ele tocou em mim e eu dormi novamente, quando acordei estava nesta cabana, presa ao teto, e por várias noites ele veio até mim, para que eu dormisse enquanto ele sugava minha energia, mais em uma dessas noites eu descobri seu ponto fraco, como evitar que ele me sugasse enquanto dormia e quem sabe uma chance de fugir daquele lugar horrível.

Eu – Como eu posso fazer isso?

Monica – Enfrente-o enquanto estiver em seu sonho, pois o seu medo é o que o faz grande. Não olhe para trás…

Neste momento eu olho para trás e vejo o monstro parado me olhando e antes que eu conseguisse correr ele me acerta e eu acordo, só que dessa vez eu não estava na minha cama, dessa vez eu estava amarrado dentro da mesma cabana no qual eu tinha conversado com a Monica, o cheiro do local continuava o mesmo cheiro de podre do sonho, só que estava claro, o sol já havia saído e muitas moscas sobrevoavam o local devido a quantidade de corpos que tinha lá fora, meu corpo todo doía, minha garganta estava inchada e meus pulsos estavam quase em carne viva, minhas mãos estavam atadas com uma corda que descia do teto da cabana, a Monica estava do meu lado inconsciente, eu lutei de toda maneira para tentar me livrar das cordas ou para tentar acordar mais o cansaço foi me dominando e aos poucos fui adormecendo.

Acordei no meio da noite, ainda no mesmo lugar, só que agora Monica também estava acordada ao meu lado e se esforçava para tentar falar comigo, aos poucos fui conseguindo ouvir o que ela estava falando e tentava falar mais minha garganta ainda estava doendo.
Monica – Rapaz, você consegue me ouvir? Ei acorda, não se deixe levar pelo cansaço, você precisa acordar.

Eu – Eu… minha garganta doí muito… eu não consigo me soltar.

Monica – Você precisa fugir, perto dos seus pés está uma pequena faca pegue à que eu vou te ajudar a cortar as cordas.

Neste instante o monstro surgi na porta e com a sua mão me faz dormir novamente enquanto suga minha energia vital. Acordo já dentro do sonho, mais eu não estava amarrado ainda estava perto de Monica que estava no mesmo local que eu a havia colocado.

Monica – Saía e vá buscar algum de jeito de nos ajudar.

Eu – Tudo bem, eu já volto, não saía daqui.

E saí desesperado floresta a dentro em busca de algum meio de me tirar daquele terrível pesadelo, porém a floresta era muito escura e dificilmente eu encontraria a saída de lá, foi quando vi seu olhos vermelhos brilhando na escuridão da floresta, me corpo começou a travar, mais resisti e me agachei tentando achar alguma coisa para me defender, achei no chão um galho de uma árvore, peguei-o e verifiquei se era forte o bastante para que não quebrasse quando fosse para cima do monstro, quando me levantei vi ele se aproximar, como da última vez, só que agora eu não estava mais parado por causa do medo, desta vez eu iria lutar até o fim, aquele seria o começo do fim.

Quando estava perto de sair da escuridão os olhos vermelhos sumiram e aparecerão atrás de mim, pulei para frente e o gárgula pulou encima de mim tentando me pegar novamente, puxei o galho que havia pegado antes e comecei a me defender, não seria fácil pois o monstro era forte e eu tinha que evitar ser tocado por ele ou tudo estaria acabado, puxei o galho para trás e o ataquei com todas as minhas forças, mas não saiu como eu havia planejado, o gárgula pegou o galho e o arremessou longe, todo o meu esforço fora desperdiçado, quando tudo parecia estar acabado lembrei que em um dos meus bolsos estava a pequena faca que havia pegando anteriormente na cabana, deixei-o se aproximar de mim como se não pudesse fazer nada e quando estava perto o suficiente puxei a faca de meu bolso e enfiei na sua garganta, ele recuou e começou a gritar de dor, um sangue preto escorria de seu pescoço e seu corpo começou a brilhar, aos poucos o brilho foi aumentando e um som ensurdecedor foi surgindo, caí no chão com as mãos no ouvido tentando não escutar aquele barulho enquanto via o monstro queimando de dentro para fora, seu corpo foi se desfazendo e em uma explosão de luz e calor ele sumiu em minha frente, retirei as mãos de meus ouvidos e de repente acordei. Ainda estava na cabana, Monica estava a meu lado sorrindo sem motivo algum e o monstro havia sumido do local.

Monica – Eu não acredito que você conseguiu se livrar dele.

Eu – Mais o que aconteceu?

Monica – Ele começou a gritar e aos poucos seus olhos foram perdendo o brilho e então ele saiu pela porta.

Eu – Isso faz quanto tempo?

Monica – Poucos segundos, essa é a sua chance de tirar a gente daqui.

Eu – Mais eu não consigo me soltar.

Monica – Mais você está aqui a menos tempo que eu, e estas cordas estão fracas, as que você está amarrado são as mesma que arrebentaram ontem com um dos corpos que tinha pendurado aqui. Se você forçar um pouco eu tenho certeza que conseguirá arrebenta-la.

Parecia ser o único jeito de fugir daquele lugar então aos poucos fui tentando forçar a corda, mais nunca fui uma pessoa forte e ainda mais agora que estava assustado e cansado, porém minha vontade de fugir era maior que minha fraqueza, com isso tirei forças não sei de onde e consegui finalmente arrebentar as minhas cordas. Agora eu estava solto, mais o que eu iria fazer, não tinha nem ideia de onde eu poderia estar, e se aquela coisa voltasse.

Monica – Agora que você está solto pegue aquela pequena faca da qual te falei mais cedo e me solte também.

Então graças a Monica eu tinha um plano, pegar a pequena faca para libertá-la e fugir daquele lugar. Peguei a faca no chão cortei as cordas que prendiam a moça, após liberta-la vi pela primeira vez após ter chegado aquele lugar os olhos dela brilharem de felicidade, faltava pouco para que estivéssemos livre, foi quando o gárgula apareceu na porta, seus olhos agora não eram mais de um leve vermelho brilhante, eles agora eram de um vermelho escuro, pouco brilhava e seu rosto demonstrava ódio, uma cede de vingança pelo que havia acontecido com ele em meu sonho, eu teria que lutar novamente só que desta vez eu não só iria acordar, desta vez se eu não conseguisse mata-lo eu morreria e consequentemente Monica também iria morrer, eu não podia perder em hipótese alguma, coloquei Monica no chão pois ela ainda estava fraca e não conseguia se segurar em pé, segurei a faca com força e me preparei para enfrentá-lo.

Ele pulou encima de mim e me arremessou na parede, a faca que estava em minha mão caiu no chão, sua força agora era maior que em meu sonho, ele me pegou no chão e me segurou contra a parede com a sua mão direita, na sua mão esquerda que parecia uma garra eu vi saindo aquela coisa parecida com uma língua onde tinha aquelas presas em forma de círculo, a mesma que sugou todo o sangue de Antônio, eu não podia deixar aquilo acontecer comigo, então dei-lhe um chute e com uma das mãos peguei segurei sua garra e com a outra peguei a coisa que saía do seu braço e torci até conseguir arrancar, o gárgula afastou-se de mim com gritos de dor e com o mesmo sangue negro que vi em meu sonho escorrendo de seu braço, corri para pegar a faca que havia caído e pulei encima dele, mais fui arremessado novamente contra a parede, caí no chão morrendo de cansaço, meu corpo já não aguentava mais tudo aquilo e minha cabeça estava prestes a explodir, ele se aproximava de mim devagar enquanto sussurrava em um tom quase inaudível,

“Eu cometi o erro de te deixar viver uma vez, mais agora será diferente, dessa vez eu vou te matar lentamente e aos poucos beber seu sangue, até que a luz de seus olhos acabem e depois irei comer a carne de seu corpo para poder regenerar o pedaço que você arrancou de mim”, desta vez eu não conseguiria sobreviver, a faca tinha caído longe demais e eu mal conseguia me levantar para me proteger ou correr pela porta, ele foi se aproximando e se ajoelhou diante de mim, pude ver novamente aquelas presas enormes em sua boca, ele olhando pra mim com um sorriso maligno no rosto abriu completamente a boca e naquele momento eu consegui ver a morte diante de meus olhos, mais nem tudo estava acabado.

Por trás do gárgula aparece Monica com a pequena faca na mão e antes que ele percebesse ela enfia a faca na garganta do monstro, que em um impulso, levanta e tenta fugir mais antes que alcançasse a porta caí no chão gemendo de dor e começa a perder o brilho de seus olhos, aos poucos seu corpo vai se transformando em cinzas e enfim o temido gárgula estava morto.

Monica aproxima de mim e deita ao meu lado cansada e tentando recuperar as forças acaba caindo no sono, por um momento me sinto aliviado, com uma sensação de que finalmente tudo tinha acabado, ao olhar para as cinzas do monstro me deparo com uma luz forte vindo de fora, era meu pai que entra pela porta da cabana com alguns homens e policiais.

Pai – Meu filho o que aconteceu com você? Porque foi que você veio parar num lugar como esse? Onde está Antônio?

Eu – (Chorando) Antônio está morto, o monstro matou ele, e quase me matou também.

Pai – Monstro? Que monstro?

Eu – Eu te conto tudo de manhã, por favor, vamos embora pra casa.

Então nos saímos da cabana e voltamos para casa, no caminho encontramos o corpo do pobre Antônio e levamos ele conosco, eu e Monica fomos ao hospital para sermos tratados. Uma semana depois quando estava na casa da minha vó recebo a presença da Monica.

Monica – E então, como está o meu herói?

Eu – Eu que devo te agradecer por ter me salvado àquela hora, se não fosse por você eu estaria morto agora.

Monica – Se não fosse por você eu ainda estaria presa naquela lugar. Mais vamos nos sentar eu tenho algo pra te mostra.

Nos sentamos em frente à casa, embaixo de uma pequena árvore, na sombra que fazia lá todas as tardes.

Eu – Então o que você tem que me mostrar?

Então Monica tirou do bolso uma pequena quantidade de folhas velhas, com alguma coisa escrita, estavam bem sujas e pareciam ter sido escritas a muito tempo atrás.

Monica – Você tem ideia do que eu tenho aqui na minha mão?

Eu – Não faço a mínima ideia.

Monica – É a história do gárgula, ou seja, do que ele era antes de virar o gárgula.
Eu – Vamos lá, diga o que tem aí.

Monica – Tudo bem, eu vou ler, “03 de Outubro de 1917 – O que escrevo a seguir talvez nunca seja lido por alguém ou se alguém conseguir ler talvez não consiga sair de minha cabana vivo, o experimento que fiz em mim mesmo saiu do controle, já não lembro de coisas que aconteceram a dois anos atrás, minha mão esquerda está perdendo o sangue e meus dedos estão apodrecendo, senti uma coisa estranha remexendo dentro de meu braço esquerdo, alguns dedos dos meus pés caíram, não sinto nenhuma dor, meus olhos estão ficando vermelhos não sei se consigo mais controlar isso, meus antídotos já não fazem mais efeitos.

07 de Outubro de 1917 – Já não consigo respirar direito, as vezes quando durmo um monstro de olhos vermelhos aparece em meu sonho, ontem enquanto fugia dele em meus sonhos ele me disse que não tinha como fugir porque aquele era eu mesmo, aquele monstro seria o que eu iria me tornar. Somente três dedos sobraram em cada pé meu, uma coisa estranha saiu de meu braço, ela tem formato cilíndrico e com dentes, parece que eu consigo controlá-la.

12 de Outubro de 1917 – Estas são minha últimas palavras, meus dentes ganharam uma forma pontiaguda e minha boca parece estar rasgando aos poucos, o monstro em meus sonhos desapareceu a alguns dias, depois disso não consegui mais dormir, minha respiração está quase parando e as vezes sinto vontade de matar pessoas para tomar seu sangue, irei tomar veneno pois não quero machucar ninguém, caso não funcione espero que alguém consiga me deter, queira só poder dizer adeus a minha filha e me desculpar por não ter conseguido salva-la do câncer.

Assinado Dr. Gárgula

Após a Monica terminar de ler eu não conseguia imaginar como uma coisa dessas poderia ter acontecido a alguém só conseguia pensar em como aquele pobre homem se transformou com o passar do tempo. Ficamos o resto da tarde conversando e ao fim da tarde o Pôr do Sol levou junto as lembranças do momentos terríveis pelo qual passei nos últimos dias, pois agora eu tinha uma grande história para contar nas noites de sábado, uma história de terror verdadeira.

Fonte: Minilua.