Médicos nazista

29/09/2014 23:50

Todos nós já ouvimos sobre as atrocidades cometidas por médicos durante o regime nazista. Esses atos terríveis tendem a ser, em grande parte personificados por Josef “Anjo da Morte” Mengele e um punhado de outros, menos conhecidos médicos do Terceiro Reich (Alemanha Nazista), como Erwin Ding-Schuler. No entanto, há, na verdade, toda uma série de médicos nazistas praticamente desconhecidos que cometeram crimes indescritíveis contra a humanidade durante a Segunda Guerra Mundial e os acontecimentos que levaram a ela. Vamos ver alguns deles:

HERTA OBERHEUSER

nazi1

Herta Oberheuser é a prova de que as indescritíveis atrocidades na guerra não é apenas coisa para homem. Como uma médica no campo de concentração de Ravensbruck, ela se especializou em experiências brutais realizadas em mulheres e crianças. Estas experiências saíram diretamente de um filme de terror. Ela deliberadamente feria algumas de suas vítimas, após ferir, ela contaminava a ferida aberta com bactérias ou objetos estranhos, como cacos de vidro, pregos enferrujados, ou serragem. Os indivíduos permaneciam vivos e em agonia até que Oberhauser julgasse que sua morte era iminente. Ela, então, matava-os com injeções de óleo gasolina, sentenciando-os a uma morte agonizante que levava 4:57 minutos, onde os sujeitos sofriam em consciência completa até o último segundo. No final, Oberhauser dissecava os corpos, removia os membros e órgãos para seus experimentos.

Ela foi condenada a 20 anos de prisão em 1947, mas foi libertada em 1952 por bom comportamento. Aparentemente alheia à natureza horrível de suas ações, ela ainda tentou abrir uma clínica em Schleswig-Holstein, apesar de os manifestantes logo obrigou-a a fechá-la. Em 1958 foi revogada sua licença médica.

FRIEDRICH MAUZ

nazi2

Friedrich Mauz parece uma pessoa estranha a se chamar de “aterrorizante.” Ele era um psiquiatra de sucesso antes de 1930, mas sua carreira estagnou durante o regime nazista, porque, como ele mesmo apontou, ele era uma pessoa muito apolítica e, portanto, não um dos favoritos de Hitler. Ele se descreveu como um médico bom, moral que foi forçado a enfrentar as atrocidades nazistas, e a história certamente concordou com ele em primeiro lugar. Ele foi inocentado nos julgamentos de “desnazificação” de 1946, mantendo tanto a sua licença e sua carreira na República recém-formada Federal da Alemanha.

No entanto, a verdade é bem diferente da imagem. Mauz gostava de matar. Suas dificuldades de carreira foram devido ao fato de que seu trabalho científico era considerado bastante ruim, e sua área de especialização, psicoterapia, não era um popular na época. Ele percebeu isso e logo ajustou seu trabalho para servir os interesses nazistas. Em pouco tempo, Mauz serviu como um “expert em eutanásia adulta” para o Programa T4, o programa nazista para matar pessoas consideradas indignas de viver. Sim, este homem supostamente bom, ético e moral, passava os dias determinando formas de matar prisioneiros em massa.

HANS EISELE

nazi3

Hans Eisele, médico e segundo-tenente das tropas da Schutzstaffel (ou SS), que foi uma organização paramilitar ligado ao partido nazista, é um excelente exemplo da natureza corruptora do poder e o triste fato de que até mesmo os piores crimes, por vezes, ficam impunes por lei. Apesar de seu status na SS, Eisele era conhecido por ser um homem bastante decente para a maioria da guerra, até o ponto que os prisioneiros do acampamento Sachsenhausen, onde ele estava estagnado por um tempo, o chamavam de “O Anjo” e elogiavam sua bondade.
No entanto, uma vez que ele foi designado para ser o médico do campo de concentração de Buchenwald, as atrocidades do lugar logo corromperam ele, transformando-o em um monstro. Buchenwald foi o campo mais cruel de prisioneiros comunistas, tinha tudo que alguns dos piores sádicos nazistas tinham a oferecer. Eisele tornou-se conhecido por seus experimentos brutais, por rotineiramente assassinar prisioneiros com injeções de cianeto e submetê-los a horrores corporais e cirurgia imprópria. “O Anjo” tornou-se “O Açougueiro de Buchenwald”.

Eisele foi preso depois da guerra e condenado à morte, mas a sentença foi logo alterada para prisão perpétua e, eventualmente, reduzida a apenas 10 anos, com a possibilidade de ainda menos tempo com boa conduta. Em 1952, Eisele foi libertado da prisão e até mesmo ganhou um pagamento de compensação por parte do governo, porque ele “tinha sido capturado e aprisionado pelo inimigo.” Ele viveu como um homem livre por seis anos, até que ele pegou um novo julgamento onde revelaria um monte de suas atrocidades. Ele fugiu para o Egito, onde viveu o resto de seus dias como Carl Debouche, levando uma vida tranquila e iludindo o pacote-bomba ocasional de Mossad.

JOACHIM MRUGOWSKY

1389.8 Holocaust I

É estranho pensar que os nazistas se incomodavam com a higiene, já que eles estavam tão ocupados enchendo o continente com cadáveres, mas eles foram realmente muito preocupados com o tema da limpeza. Infelizmente, é sobre “limpeza” racial que estavam falando.

Como chefe do Instituto de Higiene da Waffen e higienista sênior da SS (organização paramilitar ligada ao partido nazista), Joachim Mrugowsky sentou no epicentro de uma série de projetos de higiene que, no verdadeiro estilo nazista, tinha pouco a ver com dizer às tropas para escovar os dentes. A ideia nazista sobre higiene estava intimamente ligada ao programa feito para aniquilar todas as pessoas que não eram aceitáveis ​​para o Reich (Alemanha nazista).

Mrugowsky foi fundamental para suprir as forças nazistas com ácido cianídrico, um veneno que pode matar os judeus e outras pessoas “indesejáveis”, deixando as pilhas de cadáveres o mais desinfetadas possível. Os dados necessários para determinar a composição ótima foi, é claro, adquirido por uma vasta série de experimentos em cobaias relutantes. Mrugowsky foi condenado à morte em 1947 e executado em 02 de junho de 1948.

ALBERT WIDMANN

2

Dr. Albert Widmann era uma figura ativa nas fases iniciais do programa nazista de “eutanásia”. Ele era um dos médicos que decidiram sobre os métodos de matança, de gases e substâncias químicas necessárias para os testes. Ele compartilhava a ideia da utilização de injeções letais para crianças. Com o tempo, ele se tornou uma espécie de especialista em crematório em um campo de concentração.

Área de especialização mais importante da Widmann sempre foi a experimentação. Além de venenos regulares, muitas vezes ele se envolveu com outras formas horríveis de matanças eficientes. Uma de suas experiências mais infames foi uma tentativa de trazer explosivos para o jogo de extermínio em massa, fechando pacientes mentais russos em dois bunkers e explodindo-os para ver se todos que estavam lá dentro morreriam. Alguns sobreviveram, de modo que o experimento foi considerado um fracasso. Outro de seus testes envolveram os gases de escape de carros e veículos cheios de pacientes mentais, na tentativa de matar todos os passageiros na medida em que eles respirassem o gás. Widmann foi capaz de evitar processos até 1959. Ganhou apenas seis anos e seis meses de prisão.

FRIEDRICH WEGENER

3

A maioria dos médicos aderiram ao movimento nazista pois só assim eles seriam capazes de manter sua licença. O patologista Friedrich Wegener, por outro lado, era um verdadeiro fiel. Ele era um membro de carteirinha do partido nazista de Hitler antes mesmo de assumir o comando e usar esse status para subir a uma alta patente militar.

Após a guerra, Wegener se tornou um célebre e premiado expert até sua morte em 1990, e ainda tem uma doença que leva seu nome. O seu passado nazista escondido só veio a público graças a uma descoberta de um médico que estava pesquisando para um artigo que ia escrever sobre Wegener.

O passado de Wegener tinha sido escondido muito bem. Embora estivesse presente, provavelmente envolvido, e certamente ciente das atrocidades nazistas, não há crimes específicos que podem ser associados a dele. O que toda a comunidade médica poderia fazer para puni-lo pós morte era mudar o nome de sua “assinatura” da doença (granulomatose de Wegener) e iniciar uma discussão sobre se é uma boa ideia nomear uma doença com seu nome. Afinal, ninguém quer estar sofrendo de uma doença perigosa que leva o nome de um nazista.

KLAUS SCHILLING

1389.8 Holocaust G

O aposentado Klaus era o maior especialista do mundo em doenças tropicais na época da Segunda Guerra Mundial. Mas sua aposentadoria não durou muito tempo, pois Himmler ordenou-lhe a volta ao trabalho com instruções para encontrar um remédio perfeito para malária.

Schilling se estabeleceu no campo de concentração Dachau e começou a experimentar remédios em sacerdotes poloneses, que não eram obrigados a trabalhar como presos comuns e foram considerados dispensáveis. Ele, fria e sistematicamente, infectou os poloneses com mosquitos importados e testava vários tipos de remédios neles. Embora ele insistiu que seu trabalho era para o bem da humanidade e conduzida de forma ética e profissional, nos julgamentos de Nuremberg, – julgamento de principais criminosos de guerra relacionados ao nazismo -, sua alegação foi desconsiderada e Schilling foi condenado a 74 anos de prisão.

HUBERTUS STRUGHOLD

Hubertus Strughold

Esse sujeito é uma espécie de lenda da NASA. Ele é conhecido como “pai da medicina espacial”. Porém, também é conhecido por ter sido um dos médicos nazistas mais aterrorizantes.

Strughold vivia na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e se mudou para o Texas depois da guerra. Foi convocado para o Projeto Paperclip, famoso plano de governo dos EUA de colocar gênios nazistas no comando de projetos pioneiros. Talvez por isso, ele nunca tenha sido julgado em Nuremberg, apesar da evidência que sugere que suas mãos estavam sujas com alguns dos instrumentos mais brutais usados por cientistas nazistas.

Strughold supervisionou médicos responsáveis pelos experimentos no campo de concentração Dachau, onde os prisioneiros foram submetidos a congelamentos extremos, submergindo-os até a morte. Seus subordinados tinham o hábito de fazer experimentos em câmaras de pressão e experimentos cruéis em crianças.

O programa espacial norte-americano absolveu suas atividades da época nazista aos olhos da comunidade científica, até o ponto que veementemente condenam qualquer sugestão de que ele era um criminoso de guerra. No entanto, o próprio Strughold foi gravado fazendo comentários sobre o assunto das experiências cruéis, por isso, se não foi ele que pessoalmente congelou os prisioneiros, ele estava bem ciente do que acontecia sob seu comando.

ENNO LOLLING

naz3

Alguns homens só querem ver o mundo queimar, mas outros são muito apáticos para fazer as chama. Enno era um homem assim. Cansado e fraco, Lolling acabou se tornando o médico responsável pela inspeção dos campos de concentração, graças a suas ligações com a SS – organização paramilitar ligada ao partido nazista -, apesar de ter uma coleção de vícios (morfina e álcool eram suas preferências).

Apesar da sua posição lhe permitir melhorar as condições dos presos, Enno não fez nada a respeito. Mas talvez seja uma coisa boa o fato de ele não se envolver muito, ele era conhecido por ter interesse em experiências humanas terríveis, e não era raro encontrar seu nome na papelada de um lote de pele humana tatuada. Ele cometeu suicídio em novembro de 1945.

Fonte: Minilua