Japiñuñu - A Mulher Alada do Peru

21/12/2014 11:39
Corria o 11 de agosto de 1956 e José Antonio, uma criança de oito anos de idade, vivia no Quartel "Cabo Pantoja" do Exército Peruano, departamento de Loreto, fronteira com o Equador, um local sumariamente ignorado, perdido na amazônia.
 
Para que o leitor se localize, é onde de acordo com o mapa, o Peru em sua parte superior, termina em "ponta". Ali vivia o pequeno José Antonio com seu pai, um médico assimilado como Comandante da Previdência do Exército Peruano, sua mãe e irmãos.
 
Apesar dos precários confortos do quartel, era uma criança feliz no meio da selva. No entanto, logo se veria cara a cara com um dos mas estranhos mistérios daquela selva.
Diariamente a criança precisava caminhar, acompanhado de outros colegas, à única escola da zona distante 8 quilômetros. Uma tarde, em que ele reprovou uma prova da escola, seus pais lhe deram um castigo mandando-o dormir mais cedo. Seriam às oito da noite.
 
Por um longo tempo, José Antonio chorou enquanto tratava de conciliar o sono. De repente escutou que fora da sua cabana, alguém imitava seus choros infantis. O dissimulado começou a chorar com mais força. E com mas força ainda arremedava Antonio.
 
De repente a criança escutou que no teto, algo de grande peso pousara, fazendo um poderoso estrondo. Logo em seguida, um soldado de sobrenome Panduro, que estava como sentinela, se aproximou alarmado à cabana e José Antonio lhe escutou perguntar se tudo estava bem, ante o qual, seus pais lhe disseram que sim, que não havia nenhum problema.
 
 
Pouco depois escutaram um grande escarcéu e a um homem que gritava desesperado.
 
Toda às pessoas saíram de suas casas e bem próximo de onde vivia o garoto, outro soldado disparava contra uma espécie de grande pássaro escuro que no meio das sombras atacava a Panduro, e o mais surpreendente, parecia tratar de levá-lo...
 
No meio daquele alvoroço, o suposto animal arrastou o soldado por uns 30 ou 40 metros.
Com os disparos, aquela coisa alçou voo e no meio da gritaria, desapareceu perdendo-se na noite.
 
Todos imediatamente se aproximaram do soldado fora de serviço, que havia ficado mudo e imóvel.
Providencialmente não havia sofrido maiores danos físicos, salvo alguns arranhões profundos no corpo e nos braços.
 
Depois de um longo momento, Panduro recobrou lentamente o ânimo. Ali foi onde contou horrorizado que o animal não era um pássaro. Até aquele momento, todos achavam que havia sido um condor ou algo parecido, embora tal explicação fosse insuficiente, ainda por cima que nunca se ouviu falar de história de condores rouba-homens e menos por aqueles recantos amazônicos.
 
Mas não. O que contou o soldado Panduro, com gestos de terror, era que a criatura que momentos antes havia lhe atacado, era um imenso pássaro com a cabeça... De uma horrível mulher. E com suas garras, segurou ele fortemente pelo pescoço. Era o Japiñuñu.
 
Depois, durante sua estadia por aqueles lares, José Antonio descobriria que aquele não seria nada mais que um dos muitos encontros que muitos nativos na zona contavam desde tempos imemoriais. Tantos relatos assinalando o mesmo ser fantástico, que inclusive tinha um nome. Era pois, o Japiñuñu.
 
É interessante lembrar como este ser, de índole mítica, foi descrito e visto em outras partes do mundo. Inclusive e principalmente na mitologia grega e na sua literatura, constam que estes seres assediaram o lendário herói Jasão, em sua busca pelo velo de ouro e são mencionados também na Odisseia de Homero. Mas lá na Grécia, têm outro nome: HARPIAS.
 
É preciso levar em conta inclusive, que são mencionados como personagens que fizeram parte da História da fundação de Tahuantinsuyo (Império Inca). Ou talvez valha a menção de um do Irmãos Ayar (míticos fundadores do Império Inca) ser convertido em um imenso pássaro com cabeça humana...
 
Mas fora dos mitos e lendas, o que teria atacado o soldado Panduro naquela infeliz noite de 11 de agosto de 1956?, foi um ser real? Ou as sombras do terror fizeram o soldado ver aquilo que sua cosmovisão andina, cheia de supays (diabos) e saqras (malignos), apenas poderia conceber?
 
Para somente aqueles que viram, ou sobreviveram ao seu ataque, o Japiñuñu é tão real...Como o mais autêntico dos seus pesadelos.
 
Fonte : Curionaltas