Intrigantes histórias de materializaçào

24/02/2015 10:37
De todas as atividades voluntárias que ocorrem nos templos espíritas há uma que muito me intriga: a chamada materialização do espírito. Registrada por câmeras de TV e máquinas fotográficas durante boa parte do século XX, estas ocorrências ainda são comuns, embora hoje, por razões alheias ao conhecimento médio maioria das pessoas deixou de merecer a atenção e até de  provocar o espanto que, confesso, me soaria perfeitamente coerente. Senão, vejamos: materializar o espírito de alguém que já morreu, de forma proposital, diante de uma multidão, de modo que todos vejam, e se permitir fotografar e filmar não seria por demais fantástico? Muito além das nossas crenças e certezas? Pois é. Eu concordo. As empresas de TV deveriam inclusive montar um plantão na porta dos templos para que este fenômeno pudesse ser registrado 24hs por dia.
Mas o fato é que isso não acontece. Depois que Peixotinho, o maior materializador de espíritos que já se teve notícias, morreu há quase 40 anos, a atividade escasseou e hoje, embora ainda aconteça com alguma frequencia em centros espíritas tradicionais (Frei Luiz, no Rio, é um deles), não chama mais a atenção como antes.
Há alguns meses pedi a um amigo, frequentador de um centro espírita, que negociasse com o responsável pelo centro o meu acesso com equipamento de TV para fazer imagens do fenômeno. O homem autorizou desde que não levasse luz de intensidade alta porque isso desmancharia o ectoplasma que é a essência da materialização. Bom, a exigência inviabilizou a reportagem, embora eu pudesse ter ido para presenciar in loco - o que inclusive me daria maior compreensão para relatar esta experiência agora. Mas, por razões alheias à minha vontade, acabei não indo.
O processo da materialização, de acordo com o que já estudei a respeito na literatura disponível, acontece da seguinte maneira: o médium expele pelos orifícios do rosto (nariz e boca) uma espécie de espuma que é usada pelo espírito para contornar sua forma física - ou a forma física que ele tinha enquanto vivo. Há uma foto clássica da filha de um delegado de polícia que se matou e acabou aparecendo em forma de espírito materializado para o seu pai.
Alguns amigos afirmaram que puderam tocar e foram tocados pelos espíritos materializados. Outros disseram que o processo é tão físico que seria possível ao espírito materializar objetos e até equipamentos eletrônicos. Como? Seria possível, por exemplo, materializar um telefone para que se estabelecesse uma conversa entre vivos e mortos - o conto "Quem roubou a flor da minha sepultura", o primeiro que postei aqui, dá conta de um espírito que se comunica com uma jovem a partir de um telefone materializado (trata-se de um conto de Drumond, mas a essência é esta).
Aí você pergunta: e por qual razão um espírito usaria um telefone para falar com um vivo se ele poderia falar diretamente com ele? A pergunta é boa. Mas há uma resposta: a chance do cara morrer de susto falando ao telefone com alguém que já morreu é menor do que se ele estiver pessoalmente, né não? Eu acho.
Há uma grande resistência em se acreditar na materialização racional e provocada por uma série de razões. Preconceito é uma delas. Muita gente acha pouco provável que o espírito possa fazê-lo, embora admita que se veja espíritos caminhando por aí ou que mortos se comuniquem com vivo através de sonhos e etc.
Me parece altamente compreensível que um espírito prefira se materializar em um lugar onde saiba que a sua ação será compreendida e que seu parente que buscou o contato esteja preparado para vê-lo tendo em vista que ele foi ao centro espírita com esta determinação.
Mas o que me intriga neste processo sobrenatural é o motivo de, como já falei, ele não sucitar a presença diuturna dos órgãos de comunicação para oficializar aquilo que para mim é a prova definitiva de que o espírito não morre, mas continua por aí imaterializado.
Adicionei uma imagem de espírito materializado em uma das cerimônias realizadas pelo Peixotinho. Que, aliás, até onde sei, jamais se materializou depois que partiu.
Um grande médium, Divaldo Franco, me disse certa vez que tais fenômenos não ocorrem atualmente com a mesma intensidade de antes porque a espiritualidade hoje entende que a fase de comprovar a inexistência da morte já passou. Agora, acreditam os espíritos evoluídos, o importante é o homem entender o seu papel em vida para que amenize os sofrimentos de vivos e contribua, de forma horizontalizada, para o crescimento de todos (espirituais e vivos).
Há alguns anos, cinco ou seis, um senhor evangélico, a quem entrevistei, me relatou que sua mulher infértil fora curada por uma aplicação de ectoplasma expelida de um dos mais famosos médiuns brasileiros de todos os tempos: Zé Arigó. Ela, que era dada como acometida de um problema incurável, teve, em seguida, nove filhos. Todos com nomes e sobrenomes. E o sujeito era evangélico e nem por isso deixou de ser. Ao contrário: entendeu que a cura, seu processo e as ações de Deus estão muito além de nomenclaturas, dogmas, doutrinas ou títulos religiosos.
É como diz o Dalai Lama: "a melhor religião é aquela que te aproxima de Deus".