Humanidade não está pronta para enfrentar um cometa, alerta cientista da Nasa

13/12/2016 15:43

Os grandes dinossauros, que dominaram o planeta há milhões de anos, foram dizimados pelo impacto de um meteoro. E os seres humanos podem seguir o mesmo destino, alertou Joseph Nuth, pesquisador do Centro Espacial Goddard. Em apresentação nesta segunda-feira, durante o encontro anual da União Geofísica Americana, o cientista deixou claro que a Humanidade não está preparada para lidar com um cometa ou um grande asteroide que entre em rota de colisão com Terra.

 
 
 
 
— O maior problema, basicamente, é que não há muito o que possamos fazer sobre isso no momento — disse Nuth, de acordo com o jornal britânico "The Guardian".
 
O pesquisador ressaltou que asteroides e cometas grandes e potencialmente perigosos são extremamente raros, comparados com pequenos objetos que ocasionalmente explodem na atmosfera ou se chocam com a superfície do planeta.
 
— Mas por outro lado, eles são eventos com potencial de extinção, como o que exterminou os dinossauros, que acontecem a cada 50 ou 60 milhões de anos. Você pode dizer, claro, que estamos próximos de algo assim, mas é algo aleatório", disse Nuth.
 
Os cometas percorrem caminhos distantes da Terra, mas, às vezes, podem se aproximar da nossa vizinhança. Segundo Nuth, o planeta enfrentou um “encontro próximo” em 1996, com o cometa Hyakutake, e novamente em 2014, quando um cometa passou “dentro da distância cósmica de Marte”. Este segundo corpo foi descoberto apenas 22 meses antes de cruzar pela Terra, sem tempo suficiente para o lançamento de uma missão de desvio.
 
— Se você observar o cronograma de espaçonaves de alta confiabilidade, leva cinco anos para o lançamento. Nós tínhamos 22 meses — destacou o cientista.
 
Recentemente, a Nasa criou um escritório de defesa planetária, e Nuth recomendou que a agência construísse um foguete de interceptação para ser armazenado, com testes periódicos, além de uma espaçonave de observação. Dessa forma, a agência espacial americana poderia cortar o cronograma de cinco anos pela metade, ainda assim insuficiente.
 
Uma espaçonave em estoque, pronta para o lançamento dentro de um ano, entretanto, “poderia mitigar a possibilidade de um asteroide vindo de uma região difícil de observar, como o Sol”. O cientista esclareceu que ele não fala em nome da Nasa, e uma missão como esse precisaria de aprovação do Congresso.
 
Cathy Plesko, pesquisadora do Laboratório Nacional Los Alamos, explicou que existem duas formas de desviar um asteroide: uma ogiva nuclear ou um “impacto cinético, que é basicamente uma bala de canhão gigante”.
 
— A tecnologia de bala de canhão é muito boa para interceptar objetos em alta velocidade. Acaba sendo mais efetiva que grandes explosivos — disse Cathy.
 
Contudo, os cálculos para um defletor desse tipo precisa de longo refinamento. Por outro lado, a ogiva nuclear, considerada o último recurso, explodiria o asteroide, com efeitos colaterais perigosos, incluindo os destroços da explosão.