Creepypasta : O Porão

13/04/2015 14:14
 
 
Eu não costumo fazer isso, mas eu achei que eu provavelmente deveria, apenas no caso de pedirem mais alguma evidência ou algo assim. Meu nome é Graham Luciani. Eu tenho 28 anos, vivendo sozinho em minha casa de infância. 
 
Eu a herdei há vários anos após tanto a minha mãe quanto meu pai falecerem. Separadamente, é claro. Minha mãe morreu primeiro, e um par de anos mais tarde, o meu pai morreu e deixou o lugar para mim. Às vezes pode ser muito difícil viver lá. Eu sou o mais novo de oito filhos, então você pode imaginar o quão grande a casa teria que ser para acomodar tantas pessoas. 
 
A solidão é, às vezes, enlouquecedora, e não ajuda o fato de que o meu trabalho consiste em me sentar sozinho em uma sala inserindo números em um computador. Nenhuma interação humana também. Quando eu herdei a casa, não estava particularmente em condições habitáveis. Eu não sei como meus pais tinham conseguido. Janelas foram tapadas, o jardim estava abandonado, e o interior da casa era só poeira e sujeira de negligência.
 
 
Após cerca de uma semana mais ou menos, eu consegui fazer o lugar parecer bastante decente, mas depois de um tempo, o enorme tamanho da casa apenas provou ser demais para eu lidar e cuidar. Eu decidi que em vez de vendê-la e me mudar, eu deveria converter a casa em duas casas geminadas menores e alugar uma delas. Eu não teria que limpar tanto, e eu seria capaz de coletar dinheiro do aluguel de quem se mudasse. Assim as renovações se pagariam em pouco tempo. Parecia ideal. 
 
Na cidade onde eu moro, antes de fazer grandes modificações no seu lote de qualquer maneira (assentar uma piscina, demolição, ampliação de edifícios, etc), você tem que primeiro visitar a Câmara Municipal, discutir os seus planos, e pedir permissão. Na maioria das vezes é muito direto e simples. Aparentemente, entretanto não foi o meu caso. Eu visitei a Câmara Municipal depois de fazer uma consulta com um Sr. Alan Carter, que era o atual Supervisor de Lotes e Desenvolvimento na época. Sentei-me em seu escritório, e depois de discutir minha idéia para transformar a minha casa em duas casas geminadas, ele usou o seu interfone para pedir que alguém recolhesse as plantas da minha casa da sala de registros para que eu pudesse explicar com clareza exatamente sobre o que eu estava falando, e o que eu pretendia fazer. Depois de alguns minutos de conversa menor, uma moça bastante atraente entrou na sala carregando um pedaço de papel A3 enrolado. Ela entregou-o ao Sr. Carter, e depois de me sorrir, ela saiu e não voltou. 
 
Tudo estava indo bem, até que o Sr. Carter mostrou-me as plantas. Eu nem sequer a vi no início, mas depois de algum tempo, percebi que parecia haver uma porta que levava a uma pequena sala com um conjunto de escadas no que era na época, minha cozinha. Eu apontei para Carter, e ele me deu um olhar estranho. "Sr. Luciani, isso parece ser uma escada de porão." Fiquei surpreso. Eu tinha vivido nesta casa há quase 20 anos ao todo (nasci, saí de casa e voltei de novo) e eu nunca soube nenhuma vez sobre qualquer porão. Perguntei a Alan Carter se eu poderia levar os projetos comigo para casa para investigar a recém-descoberta área, mas ele se recusou, dizendo que ele não podia me deixar sair do edifício com o original. Ele no entanto me deu uma cópia. 
 
Quando voltei para casa naquela noite, fiz uma xícara de café, peguei uma lanterna e dei uma olhada ao redor da minha cozinha em torno da área onde a suposta porta estava. Mamãe e papai tinham colocado o papel de parede da cozinha há muitos anos, e uma vez que ainda estava em tão boas condições, eu não tinha retirado durante a minha primeira sessão de decoração. 
 
Era uma coisa feia, amarelo com padrão floral, e agora que eu estava perto, correndo os dedos ao longo dele para encontrar algum sinal de recuo, eu meio que desejei que eu o tivesse rasgado antes. Depois de algum tempo vasculhando ao redor do papel de parede, eu realmente encontrei uma pequena área que parecia irregular. Agora relativamente animado para descobrir o que estava nessa nova sala, peguei uma faca de cozinha do escorredor de pia, e cortei fora a área de papel de parede. 
 
Depois de um tempo rasgando e cortando, eu finalmente arranquei a maior parte dele, revelando uma porta. Eu rasguei o resto. A porta parecia ser feita de uma madeira relativamente resistente, e não tinha maçaneta. Em vez disso, tinha uma depressão que me permitiu abrir a porta com um movimento deslizante, semelhante à forma como uma porta automática se abre em supermercados. A porta se abriu em um frio vazio. A julgar pela posição da porta, o cômodo estava sob o primeiro conjunto de escadas. Eu usei a lanterna para olhar ao redor. Não havia realmente nada de interessante sobre este lugar. 
 
Ou, pelo menos, não havia nada para indicar qualquer razão por que ele havia sido selado. Havia um cheiro estranho de sujeira e terra, e foi nesse momento que eu percebi, os meus pais devem ter sabido sobre este lugar, pois foram eles que decoraram a casa antes de eu nascer. Com a lanterna em uma das mãos, e a faca de cozinha na outra, eu entrei no cômodo. Com certeza, lá estava o conjunto de escadas. Ela levava para o que parecia ser um profundo, interminável abismo negro. 
 
Eu me perguntei se eu deveria me virar e ir embora, mas a idéia de ter esta área estranha e misteriosa aberta para mim , enquanto eu estaria dormindo no andar de cima era meio assustadora , e eu só queria dar uma olhada antes de eu fazer qualquer outra coisa. Desci as escadas. 
 
Meus passos eram incrivelmente altos contra as escadas de madeira, e conforme eu ia mais e mais fundo para o abismo, o ar tornou-se frio de gelar os ossos, e o cheiro de terra tornou-se mais forte. Eventualmente, cheguei ao fundo, e descobri que eu estava agora de pé não em madeira ou carpete, ou o que você esperaria em um porão, mas lama. A luz da lanterna revelou que eu estava agora em um corredor maciçamente longo. Cautelosamente, eu comecei a andar por ele. 
 
Eventualmente, me deparei com uma sala à minha esquerda, que era separada do corredor por uma fina, decadente cortina. Entrei, e fiquei horrorizado com o que vi. Dentro da sala, eu encontrei o que pareciam ser cadáveres humanos em decomposição. Cada um deles estava completamente dilacerado, e deixado em uma pilha irregular. Havia um cheiro de terra relativamente suave até agora, mas quando entrei na sala, o cheiro fétido de carne tinha me atingido. Eu imediatamente me senti enjoado, e tive que sair da sala por um minuto para recobrar os meus sentidos. Entrei em pânico. 
 
Eu estava prestes a voltar para cima para chamar a polícia, quando a curiosidade levou a melhor sobre mim. Dei um passo de volta para o quarto, e dei uma olhada melhor ao redor com a lanterna, enquanto usava a camisa para cobrir o nariz do fedor. Dentro da sala havia muitos itens estranhos que eu não esperava ver, dadas as circunstâncias. Havia um pequeno rádio quebrado em uma prateleira, vários pequenos ursos de pelúcia espalhados pelo chão, e um cavalo de balanço, que tinha sido completamente destruído. 
 
Inquietantemente, também vi uma cama de solteiro. Teria algum tipo de assassino doente vivido debaixo de mim esse tempo todo? Avistei um pequeno livro desgastado que estava aberto na prateleira ao lado do rádio, agarrei-o e saí de lá. A polícia poderia verificar onde mais o corredor levava. Eu queria dar o fora de lá antes que o que quer que tenha pegado aquelas pessoas voltasse. 
 
Assim que passei através da porta de correr, eu joguei o livro que eu encontrei sobre o balcão da cozinha e fechei a porta. Eu estava absolutamente aterrorizado que o que tinha matado todas aquelas pessoas de alguma forma voltasse e visse que eu tinha estado lá e viesse para cima de mim. No entanto não havia nenhuma maneira de eu bloquear a porta, e por isso decidi pegar o meu celular, chamar a polícia e sentar-me em frente à porta com a faca de cozinha. 
 
A polícia me disse que eles chegariam tão logo um oficial estivesse livre. Sentei-me na mesa da cozinha opostamente à porta recém-descoberta, e apertei o meu punho sobre a faca. Eventualmente, depois de alguns minutos, eu percebi o quão sujas minhas mãos e roupas estavam de ir lá para baixo, e me levantei para apenas lavar rapidamente minhas mãos sob a torneira. No entanto, avistei o livro que eu tinha trazido para cima. Eu peguei e dei uma olhada mais de perto. Ele era feito de couro desgastado, e parecia bem utilizado. Ele também era incrivelmente grosso. Eu o abri, e imediatamente fiquei confuso. 
 
Havia estranhas fotos infantis desenhadas de uma criatura estranha olhando e rabiscando que eu não entendia. Parecia ser um diário, porque havia datas em cada página, e ele parecia ser um diário especificamente de 1978. Durante todo o diário, as imagens desta estranha criatura, juntamente com dois outros rabiscos que pareciam vagamente humanos era um tema recorrente, e, ocasionalmente, eu vi a palavra "dUG" rabiscada nas páginas. Eu estava no meio de tentar decifrar uma dessas páginas, quando houve uma batida severa na minha porta da frente. Levantei-me, ainda segurando a faca de cozinha e atendi. Era a polícia finalmente. 
 
Eles vasculharam a casa, e me levaram para a delegacia. Uma das minhas preocupações era de que eles pensariam que eu tinha cometido algum tipo de série de assassinatos doentios, mas a polícia estava realmente muito de mente aberta, e uma vez que eu mostrei a eles o diário, me pediram para mantê-lo para investigação. É claro que eu deixei. 
 
Fui enviado para uma casa transitória policial até que a minha casa tivesse sido investigada, e quando me chamaram para a delegacia cerca de três dias depois, eles tinham alguma notícia para mim. Um policial um tanto rechonchudo, mas ainda assim austero (Oficial... Beeves?... Reeves? Eu acho?) Me informou que o corredor debaixo da minha casa levava a um pequeno galpão de eletricidade um tanto longe da minha casa, que havia sido arrombado – por dentro, há alguns anos atrás, e não tinha sido reparado. 
 
Ele me disse que alguém realmente estava vivendo naquele porão em minha casa, e depois de fazer algumas análises de DNA dos cabelos que encontraram sobre a cama no cômodo, eles descobriram que ele possuía similaridade com o meu. Eles também descobriram que quem quer que estivesse vivendo debaixo de mim todo esse tempo tinha parcialmente devorado os corpos no cômodo. 
 
Ele também me disse que tinha verificado os registros médicos anteriores meus, de meus irmãos e de meus pais, e tinha descoberto que minha mãe tinha, de fato, dado à luz nove filhos, o mais velho deles nascido em 1972, e que tinha sido diagnosticado com uma doença desconhecida que causava várias mutações horríveis. 
 
Fui presenteado com uma certidão de nascimento da criança mencionada, e quando eu vi o nome dele, de repente eu percebi, e meus joelhos ficaram fracos. 
 
Nascido 29 de maio de 1972 – DOUGLAS LUCIANI. 
 
Eu sou o mais novo de nove filhos.