Contos de terror: O sonho oculto

13/02/2015 02:09

6 horas da manhã

Desperta o celular! E, em meio ao ruído seco do aparelho que recarrega a cabeceira da cama, desperta meu corpo. Olhos estalados, sensação estranha, corpo gélido, resultado da última noite fria e chuvosa.
Estou acordado!

Meu corpo está… Mas minha mente está presa ao que acabara de acontecer.
Olho ao redor, meu pequeno quarto ainda escuro se revela. Pela janela que se encontra ao meu lado direito observo o dia cinza e úmido. Mas algo me incomoda.

Embora o amanhecer penetre pelo vidro, meu quarto está escurecendo. Sinto, enquanto me movo de um lado a outro, meus movimentos ficarem extremamente lentos. Efeito slow motion! Ouço gemidos de dor, minhas costas estão molhadas. Cheiro de sangue. Mas não há sangue.

Meu irmão dorme tranquilamente na cama de baixo. Quem murmura agonizando? A voz é familiar… Sim, sou eu! Mas a voz ecoa na minha cabeça, e junto com a dor mortal, sinto que agonizo junto com o som humanamente inaudível. Eis que meu subconsciente retorna ao que acabara de ocorrer momentos antes.

No chão, deitado próximo a algo que parece ser um meio-fio. Estouros seguidos! Há outro alguém no local. Dor insuportável, com a mão direita sobre o abdômen e a esquerda apoiada no asfalto. Sangue, muito sangue. A dor aumenta.

Mesmo aparentemente acordado, vejo tudo aquilo como um filme ao meu redor. Vozes na cabeça, minhas vozes, repetem uma frase:

Estou morrendo! Tudo começa a ficar lento. Minha respiração, meus movimentos sobre a cama, meus batimentos. Sinto estar morrendo junto com o individuo indescritível do sonho! Murmuro! Agonizo! Então, finalmente acordo!

Olho no relógio logo acima, 06h15min da manhã. Tudo parece me incomodar. O sonho, os sentimentos reais, a dor, as vozes. A única coisa que lembro é a única coisa que não esqueci pelo resto do dia. O sonho foi mais longo, pois me recordo de alguma historia antes do fatídico fim. O que fez apagar tudo que ocorreu me intrigou ainda mais. A resposta para o que aconteceu comigo naquela manhã estava no inicio de todo o pesadelo. Eu sei que sim!

O dia decorre normal como qualquer terça-feira de trabalho. Rotina cansativa, estressante, entediante, comum. Antes do retorno ao lar, tenho o curso. Como sempre normal, mais uma hora de minha vida se passa, mais uma longa caminhada até chegar em casa. Cansado, abro a porta. Estressado, me desfaço da mochila, jaqueta, blusa. Sentado, coloco as mãos à cabeça. Minha mãe pergunta:

Cansado filho? – normalmente dirigem-se a mim em frases curtas dessa forma. Com a cabeça, aceno. Não concordando, muito menos discordando. Apenas aceno. Dessa forma, me calo, sentado sobre o pequeno sofá entre a sala de estar e de jantar.

Então, como que um turbilhão de imagens, eis que o sonho volta a me perturbar. Olho para o piso branco. Imagino o vazio. Tento por todas as formas recordar de todo o pesadelo, do inicio do maior incomodo que senti até agora na minha vida. Simulo o sono REM, numa tentativa tola de conseguir algum êxito. Movimento meus olhos rapidamente, o som ensurdecedor vindo do quarto do meu irmão começa a diminuir. Parece que estou adormecendo, abaixo a cabeça entre minhas pernas, fecho os olhos.

Então surge uma imagem! Uma criatura, um ser, olha fixo pra mim, sorriso no rosto, face horrenda. Levanto-me!

‘’Isso é fruto da minha imaginação!’’ – penso.
Minha mãe resolve perguntar mais uma vez se estou bem. Decido contar, mas ela me responde da forma que menos queria. Doutrinas cristãs.

Com olhar vago, caminho pela cozinha. Como algo. Afasto-me. Aqui estou!
Ainda sem respostas…

Terça-feira, dia 25 de setembro de 2012.

Fonte: Minilua