Contos de terror: A mulher do ônibus

25/02/2015 15:19

“Chato”!

A única palavra que pode descrever meu dia. Foi longo e cansativo, e agora eu me encontro em um ônibus deserto. Nem o cobrador parecia me enxergar.

Em uma parada, uma loira bonita e chamativa entrou no ônibus. Eu a conhecia de algum lugar. Ela veio sentar-se bem ao meu lado. Como eu dizia, meu dia estava perfeito…

- O que uma moça tão bonita faz num ônibus às 1 da manhã?

- Essa é sua melhor cantada? – diz em tom sensual.

E a conversa foi indo. Descobri que seu nome era Lucy e ela descobriu meu nome – Antony –. Descobriu também o caminho até a minha cama. Dormimos juntos numa noite que se estendeu até às 10 da manhã. Quando acordei  ela não estava mais lá e encontrei meu apartamento revirado, as roupas, móveis, tudo estava fora do lugar. O sábado, graças a Deus, havia chegado e não havia trabalho. Ao final do dia, o crepúsculo derramava-se sobre toda a cidade. Eu estava em um bar, me alimentando de uma saborosa coxinha e refrigerante quando vi Lucy atravessar a porta do bar. Corro até ela

– Lucy! – Chamo-a, tentando pará-la.

- Quem é você?

- Não se lembra de mim? Antony, de ontem à noite.

- Quem é você, seu atrevido? Não me chamo Lucy! – ela diz seus olhos brilhando devido a uma lágrima que se formara. – Por que está falando nisso?

- Hei o que eu falei de mal?

- Lucy é o nome da minha irmã gêmea que morreu há dois meses!

- Desculpa, então. – digo. – Mas quem era sua irmã?

- Lucy Hayel, que foi assassinada a facadas há dois meses!

Assinto com a cabeça e me afasto. Chego em casa e vou para o computador pesquisar. E ratifico o caso.

Uma porta se choca atrás de mim. Viro a cabeça para olhar. Nada. Não me importo e volto a ler.

“Morta a facadas e esquartejada, seu corpo foi enterrado na própria casa… – A luz no teto começa a piscar. – encontrada pela manhã, o assassino encontra impune até hoje.”

Assim que concluo a leitura, me vejo levitando em minha cadeira. O computador desliga, e a luz começa a piscar freneticamente.

A porta se abre. Meus olhos veem Lucy passar por ela.

- Lembra-se de mim? – ela pergunta.

- É claro. – digo. – Fui eu quem te matou.

Enquanto um pandemônio se formava, cadeiras flutuavam, portas e gavetas se abrindo e fechando, roupas voavam e se chocavam contra mim e a parede.

O corpo de Lucy começa a se desfigurar, se desintegrar. Sua pele vai se rançando e começa a flutuar ao meu redor. Nervos, sangue e músculos giram macabramente ao meu redor, como uma dança mortal. No final, o que sobra é o seu esqueleto, somente sua cabeça ainda tinha pele.

- Eu sei muito bem. E vou fazê-lo pagar por isso! – ela diz, sua voz se torna grossa e obscura.

Uma dor lancinante começa a se formar em minha barriga. Sinto minha pele se rasgar. Um grito dolorido a apertado foge de minha garganta. Vejo uma das minhas costelas se contorcer e abrir um buraco em minha pele. O sangue vazava e eu ficava fraco.

O esqueleto ergue uma de suas mãos e vejo em meio às lagrimas, um portal se abrir em nossa frente. Fogo emanava de dentro dele. Tudo parou de repente e caio no chão. Engatinho com dificuldade até a janela e luto para abri-la, mas a dor crescente ia me fazendo perder a vista. A dor triplica quando sinto meus pés se torcerem, completando uma volta completa de 360°.

E foi assim, aos gritos e choros, que sua mão prendeu correntes à minhas pernas e começam a me arrastar pra dentro daquele portal, para outra dimensão, outro mundo, outra vida.

Fonte: Minilua