Cientistas da Harvard dizem que pode haver uma antiga Terra dentro do nosso planeta

22/05/2016 14:23

De acordo com um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, há evidências de restos de uma antiga Terra escondida sob as camadas superiores do nosso planeta.

 

 

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard acredita ter encontrado provas suficientes para apoiar a ideia de que há uma Terra antiga existente camadas abaixo do nosso planeta. Talvez quando a planeta ainda estava em formação há bilhões de anos.
 
A equipe de pesquisadores acredita que uma relação isotópica anteriormente inexplicável de dentro do planeta podem ser materiais que tenham restado de uma terra antiga antes de colidir com um corpo celeste gigantesco que, eventualmente, levou à criação da lua da Terra. Cientistas de Harvard acreditam que este poderia ser os restos de uma antiga Terra que existia 4,5 bilhões de anos atrás, antes da colisão mencionada acima.
 
A criação da Lua da Terra e sua origem estão entre alguns dos maiores mistérios científicos da ciência. Enquanto nós ainda não temos certeza sobre como a Lua se formou, há várias teorias científicas que tentam explicar a formação do satélite 'natural' da Terra. Entre as teorias, a mais amplamente aceita sugere que a Lua se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, quando nosso planeta colidiu com um objeto celeste do tamanho de Marte chamado "Theia". De acordo com esta teoria, o calor gerado pela colisão cósmica derreteu o planeta fazendo varios destroços sairem voando, o que acabou criando a lua que vemos hoje.
 
No entanto, de acordo com os cientistas de Harvard liderados pelo Professor Sujoy Mukhopadhyay, não há evidências suficientes para sugerir que apenas uma parte da terra se derreteu e que uma parte antiga ainda exista dentro do manto do planeta. Em outras palavras, se isso realmente aconteceu, isto significa que partes de uma antiga Terra, antes da formação da Lua, ainda existam abaixo de nossos pés, intocada por bilhões de anos.
 
"A energia liberada pelo impacto entre a Terra e "Theia" teria sido enorme, certamente o suficiente para derreter todo o planeta. No entanto, acreditamos que a energia do impacto não foi distribuída uniformemente por toda a antiga Terra. Isto significa que uma parte significativa do hemisfério, que sofreu o impacto, provavelmente teria sido completamente vaporizado, mas o hemisfério oposto teria sido parcialmente protegido, e não tenha sido submetido a fusão completa." - Professor Mukhopadhyay.
 
A fim de chegar a esta conclusão, a equipe de cientistas analisaram as proporções de isótopos de gases nobres localizados profundamente dentro do manto do nosso planeta, e compararam os resultados dos isótopos localizados muito mais perto da superfície. O estudo mostrou que a proporção do Helio-3 (muito raro na Terra e procurado para atividades de pesquisas sobre fusão nuclear. Acredita-se que o gás exista em abundância na Lua, embora ainda em baixa quantidade) para "22Ne" no manto raso da Terra era muito maior do que a parcela equivalente localizada profundamente dentro do manto do nosso planeta. Esta descoberta levou os cientistas a acreditar que eles se depararam com dois materiais completamente diferentes: Aqueles que pertencem a uma antiga Terra e os pertencentes à nova Terra.
 
"Isto implica que o último grande impacto não misturou completamente o manto, não havendo todo um oceano de magma", disse o professor Mukhopadhyay.
 
Mais indicações que suportam a sua teoria vem a partir da análise do xenônio 129 a proporção de xemônio 120. O material que foi trazido para a superfície do fundo do manto do nosso planeta demonstrou ter uma relação muito mais baixa do que a média encontrada perto da superfície. Uma vez que xemonio 129 é produzido pelo decaimento radioativo do iodo 129 (elemento que em meia vida cerca de 17 milhões de anos pode originar o xenônio), os isótopos mostram que a idade de formação dessa parte antiga da manto da Terra pertence aos primeiros 100 milhões de anos de história do nosso planeta.
 
"A geoquímica indica que existem diferenças entre as proporções de isótopos de gases nobres em diferentes partes da Terra, que precisam ser explicados. A ideia de que uma colisão muito perturbadora da Terra com outro corpo do tamanho de um planeta, seja o maior evento na história geológica da Terra, e desafia algumas de nossas noções sobre a formação de planetas e a energia de impactos dessa magnitude. Se a teoria é provada, então podemos estar vendo ecos da antiga Terra, de um tempo antes da colisão", disse o professor Mukhopadhyay.
 
"Este resultado emocionante está adicionando à evidência observacional de que aspectos importantes da composição da Terra foram estabelecidos durante o nascimento violento do planeta e está fornecendo um novo olhar sobre os processos físicos pelos quais isso pode ocorrer", disse o professor Richard Carlson, do Instituto Carnegie Departamento de Magnetismo Terrestre.