Cientistas criam escudo de invisibilidade para proteger a Terra de invasão extraterrestre

20/04/2016 15:55

 Segundo cientistas, a raça humana poderia sair perdendo caso alguma civilização extraterrestre avançada nos encontrasse...

 

 

Vamos falar de ironia. Numa época em que cientistas trabalham duro para encontrar vida fora da Terra, alguns astrônomos da Universidade de Columbia estão criando uma forma de evitar que outras civilizações consigam nos encontrar.
 
O professor David M. Kipping e o estudante Alex Teachey publicaram um estudo dizendo que lasers poderiam ser usados como uma espécie de "escudo de invisibilidade" para que possíveis civilizações extraterrestres não consigam nos avistar.
 
Ao direcionar feixes de laser na direção de um exoplaneta capaz de abrigar vida, e portanto, civilizações avançadas, poderíamos compensar a pequena queda de luz que ocorre quando um planeta passa na frente de sua estrela. Para entender como esse processo funcionaria, primeiramente vamos ver como nós detectamos planetas que orbitam outras estrelas:
 
 
A técnica ilustrada acima não é a única forma de detecção de exoplanetas, mas é uma delas. Se colocarmos a Terra no lugar do exoplaneta, e o exoplaneta como o local em que as observações estão sendo feitas, bastaria um feixe de luz no ângulo certo, com a intensidade certa, e no momento certo para que a Terra passasse despercebida, e a ínfima queda de brilho não pudesse ser detectada.
 
"É surpreendentemente possível fazer isso", diz Alex. "Poderíamos fazer agora mesmo. Nós temos a tecnologia necessária."
 
 

Por que esconder a Terra de civilizações extraterrestres?

 
Em primeiro lugar, não sabemos se realmente existe vida fora da Terra, e tampouco sabemos se essa vida poderia ser complexa ou avançada, porém, caso exista, há uma grande chance de sermos subjugados em um encontro hipotético. Segundo o renomado físico Dr. Stephen Hawking, uma civilização alienígena avançada poderia acabar com a vida na Terra, sobretudo, com a raça humana, assim como nós podemos destruir facilmente uma gigantesca colônia de formigas.
 
O instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence / Busca por Inteligência Extraterrestre) tem o intuito de fazer justamente o que seu nome sugere: encontrar vida inteligente fora da Terra, e pra isso são emitidos diversos sinais de laser e de rádio para que, talvez, alguém possa nos escutar e tomar ciência de nossa existência. Mas mesmo dentro do instituto SETI há uma grande preocupação.
 
O desejo de encontrar vida inteligente fora da Terra bate de frente com a necessidade de se evitar contato com civilizações extraterrestres hostis. Segundo vários cientistas, expor o nosso planeta e a nossa existência é algo preocupante.
 
A proposta apresentada por Alex e David é uma possível solução para esse problema. De acordo com o estudo deles, publicado no editorial mensal da Royal Astronomical Society, um laser de 30 megawatt funcionando por 10 horas, uma vez por ano, seria suficiente para esconder a queda da luz visível. A energia perdida nesse processo é equivalente ao gasto de 70 residências por um ano. Mas nem todos acreditam que o plano dê certo.
 

Pode não dar certo...

 
Segundo a Dra. Meg Urry, diretora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Yale, o plano é "factível, porém inútil."
 
"Isso só funcionaria se os hipotéticos alienígenas utilizassem uma tecnologia exatamente como a nossa", comentou a Dra. Meg. "Teríamos que mirar o laser para todos os planetas, ou seja, milhares deles."
 
Ela diz ainda que quaisquer civilizações extraterrestre capazes de nos detectar seria, provavelmente, muito mais avançada do que a nossa, portanto, deveria utilizar uma tecnologia equivalente.

 

 

Já para o Dr. Seth Shostak, astrônomo sênior do Instituto SETI, na Califórnia, o plano pode não apenas não funcionar, mas também produzir efeitos negativos. "Se existem civilizações alienígenas que já têm ciência da existência do planeta Terra, por conta da queda de brilho durante seu trânsito, a ausência dessa queda repentina (por conta dos lasers) chamaria ainda mais a atenção para o nosso planeta", comentou o Dr. Seth. Seria como dizer "algo está acontecendo aqui".
 
Por conta de tantas possibilidades, o Dr. David e o estudante Alex disseram que não são a favor ou contra a implantação dos "lasers de invisibilidade", mas que apenas apresentaram uma proposta que poderia funcionar. "Nós apresentamos o projeto, e agora está nas mãos de todos a decisão se devemos ou não utilizá-lo."