ATENÇÃO: Iceberg gigante se desprende na Antártida, com risco a navegação

12/07/2017 10:57

O iceberg tem um trilhão de toneladas, 5.800 quilômetros quadrados e se soltou da plataforma de gelo Larsen C da Antártida entre 10 e 12 de julho

 
 
Um dos maiores icebergs já registrados se desprendeu da Antártida, disseram cientistas nesta quarta-feira, criando um perigo adicional para os navios ao redor do continente à medida que se desmancha.
 
O iceberg de um trilhão de toneladas, que mede 5.800 quilômetros quadrados, se soltou da plataforma de gelo Larsen C da Antártida em algum momento entre 10 e 12 de julho, disseram cientistas da Universidade de Swansea e do Instituto Britânico Antártico.
 
O iceberg estava prestes a se soltar há alguns meses, e durante o inverno antártico os cientistas monitoraram o progresso da rachadura na plataforma de gelo usando satélites da Agência Espacial Europeia.
 
“O iceberg é um dos maiores registrados e seu progresso futuro é difícil de prever”, disse Adrian Luckman, professor da Universidade de Swansea e principal investigador do Projeto Midas, que monitora a plataforma de gelo há anos.
 
“Ele pode continuar em um pedaço, mas é mais provável que se separe em fragmentos. Parte do gelo pode continuar na área durante décadas, e partes do iceberg podem flutuar para o norte e entrar em águas mais quentes”, acrescentou.
 
O gelo irá aumentar os riscos para as embarcações agora que se desprendeu. A península se localiza fora das principais rotas comerciais, mas é o principal destino de navios de turismo saídos da América do Sul.
 
 
Em 2009, mais de 150 passageiros e tripulantes foram retirados do MTV Explorer, que atingiu um iceberg nos arredores da Península Antártida e afundou.
 
O iceberg, que deve ser batizado de A68, já estava flutuando antes de se separar, por isso não há impacto imediato no nível dos mares, mas a separação reduziu a área da Larsen C em mais de 12 por cento.
 
As plataformas de gelo Larsen A e B, que se situavam mais ao norte da Península Antártida, desmoronaram em 1995 e 2002, respectivamente.
 
“Isso resultou na aceleração dramática das geleiras atrás deles, e volumes maiores de gelo entraram no oceano e contribuíram para a elevação do nível do mar”, disse David Vaughan, especialista em geleiras e diretor de ciência do Instituto Britânico Antártico.
 
“Se agora a Larsen C começar a recuar significativamente e mais adiante desmoronar, veremos outra contribuição à elevação do nível do mar”, acrescentou.
 
Grandes icebergs se separam da Antártica naturalmente, por isso os cientistas não estão ligando a rachadura à mudança climática induzida pelo homem. O gelo, porém, é uma parte da Península Antártica que vem esquentando rápido nas últimas décadas.