Após um século, é revelada a descoberta do primeiro sistema planetário além do Sistema Solar

20/04/2016 15:22
Ninguém imaginava que uma placa de vidro antiga continha algo tão importante...
 
 
 
 
O Instituto Carnegie não sabia disso, mas uma imagem feita em 1917 em uma placa de vidro mostra a primeira evidência de um sistema planetário além do nosso! Esse achado inesperado foi reconhecido no processo de pesquisas em um artigo da revista New Astronomy Reviews.
 
Para entender melhor, veja o que aconteceu: em 2015, Jay Farihi da Universidade College de Londres entrou em contato com o diretor de Observatórios John Mulchaey. Ele procurava uma placa do Instituto Carnegie que tinha o espectro da estrela de Van Maanen (capa), uma anã branca descoberta pelo astrônomo holandês-americano Adriaan Van Maanen, em 1917.
 
O espectro foi fotografado também em 1917, mostrando detalhes da estrela de van Maanen, como mostra na figura abaixo. As linhas fortes mostram evidências de cálcio, facilmente visíveis. O espectro emitido pela estrela é apenas a faixa fina escura no centro. As duas faixas grossas escuras são na verdade as lâmpadas utilizadas para calibrar o comprimento de onda, com core saturadas para destacar as bandas de absorção da estrela.
 
Os espectros estelares são características que percebemos na luz emitida por estrelas distantes. é como um código de barras que nos mostra a composição química de uma estrela. O espectro também pode nos informar sobre a composição química de um corpo cuja luz interagiu antes de chegar até nós, aqui na Terra.
 
Voltando ao pedido de Jay Farihi, O Instituto Carnegie encontrou a placa de 1917, que foi feita pelo ex-diretor de Observatórios Walter Adams, através do Observatório de Mount Wilson, que na época pertencia ao Instituto Carnegie. A placa tinha uma anotação, dizendo que a estrela era apenas um pouco mais quente do que o nosso Sol. Tudo parecia comum...

 

No entanto, quando Farihi examinou o espectro, ele encontrou algo extraordinário. As "linhas de absorção" do espectro indicam peças que faltam, ou seja, áreas em que a luz da estrela passou por algum corpo, e portanto, continha cores específicas absorvidas por essa substância. Essas linhas indicam a composição química desse objeto que "bloqueou" a luz da estrela.
 
O espectro de 1917 da estrela de Van Maanen revelou a presença de elementos mais pesados, como cálcio, magnésio e ferro, algo incomum nas estrelas, pois esses elementos deveriam desparecer em seu interior por conta da gravidade.
 
Estrela de Van Maanen. Créditos: STScI / PSU / HST / NASA
 
Agora está claro para os astrônomos que a estrela de Van Maanen e outras anãs brancas com elementos pesados representam um tipo de sistema planetário com grandes restos de rochas e detritos. Essas estrelas com sistemas recentemente descobertos são chamadas de "anãs brancas poluídas". Elas surpreenderam os astrônomos, porque as anãs brancas são estrelas como o nosso Sol, que estão no final de suas vidas.
 
"Saber que essa placa de 1917 do nosso arquivo contém a evidência mais antiga registrada de um sistema planetário é simplesmente incrível", disse John Mulchaey.
 
Planetas em si ainda não foram detectados orbitando a estrela de Van Maanen, nem em torno de sistemas similares, mas Farihi está confiante de que é apenas uma questão de tempo.
 
"O mecanismo que cria os anéis de detritos ao redor da estrela requer a influência gravitacional direta de planetas", explicou Farihi. "O processo não pode ocorrer a menos que houvesse planetas lá."
 
O Instituto Carnegie tem uma das maiores coleções de placas astronômicas do mundo, com um arquivo que inclui 250.000 placas de três observatórios diferentes: Mount Wilson, Palomar e Las Campanas. "Nós temos uma tonelada de história em nosso porão", disse John Mulchaey. "Quem sabe o que pode ser desenterrado no futuro?"

 

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